Brasília - O governo federal já dá como certa a instalação da CPI do Apagão Aéreo na Câmara e no Senado e se articula, nos bastidores, para tentar emplacar apenas uma comissão para investigar a crise aérea no Congresso. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teme que as CPIs desviem o foco da votação de matérias consideradas prioritárias para o governo - principalmente o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Os líderes governistas negam que o assunto CPI tenha entrado na pauta da reunião de Lula com o conselho político do governo, realizada nesta manhã no Palácio do Planalto. Mas no final do encontro, a senadora Roseana Sarney (PMDB-MA) fez uma consulta informal ao deputado Michel Temer (PMDB-SP) para questionar se há espaço jurídico para a instalação de apenas uma CPI.
O líder do governo na Câmara, deputado José Múcio (PTB-PE), negou que o objetivo do governo seja instalar CPI Mista no Congresso. Mas reconheceu que o Executivo trabalha para que as comissões não sejam criadas. ''Esse é o jogo do parlamento. O esforço que fazemos aqui é o mesmo que o DEM (ex-PFL) em São Paulo faz lá para não instalar CPI. Vira um palanque, por isso não interessa a comissão a nenhum governo'', disse.
A base aliada espera a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a instalação da CPI na Câmara para analisar se as duas comissões terão o mesmo objeto de investigação -o que abre espaço para a instalação da CPI Mista. O governo trabalha para que apenas a Câmara instale a CPI, uma vez que a base aliada de Lula terá maioria na comissão. No Senado, os governistas poderão indicar oito dos 13 membros da CPI, mas a oposição terá direito a sete cadeiras.
''Se eu disser que a CPI não vem, estaria enganando vocês. Eu imagino que o Supremo vai dizer qual deve ser o objeto da CPI. Vamos ver se é o mesmo do Senado'', disse Múcio.

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