BRASÍLIA - Quatro dias depois da nomeação do senador Íris Rezende (PMDB-GO) para o Ministério da Justiça, o governo recebeu ontem o apoio do PMDB contra a tentativa de instalação de uma CPI para investigar a compra de votos pró-reeleição. Quem assumiu o novo tom do partido foi o senador José Fogaça (RS), em discurso no plenário do Senado. Fogaça afirmou que, ao tentar anular a aprovação da emenda da reeleição na Câmara, a oposição patrocina um ato de ‘‘golpismo político’’.
‘‘Estão querendo aproveitar para tentar dar um golpe e fazer o Congresso voltar atrás em uma decisão que tem o apoio do povo’’, disse. No entender de Fogaça, existe uma ‘‘ansiedade’’ das oposições para ‘‘primeiro derrotar o governo e só depois aniquilar os vigaristas’’. Segundo ele, ‘‘essa postura das oposições é que faz com que os vigaristas sobrevivam’’. O senador do PMDB destacou ainda que o ‘‘oportunismo’’ estaria impedindo o Congresso de se manter unido e solidário ‘‘contra essas figuras escroques e adiposas’’.
Os senadores petistas Eduardo Suplicy (SP) e Marina Silva (AC) contestaram as declarações de Fogaça. Os dois afirmaram que a ‘‘melhor postura do governo’’ para esclarecer o assunto é fazer com que o ministro das Comunicações, Sérgio Motta, compareça à Comissão de Sindicância da Câmara antes de sua viagem a Portugal, marcada para quinta-feira. Os senadores argumentaram ainda que Fogaça só está vendo a possibilidade de punir os corruptos, enquanto a ‘‘sociedade quer ver punidos todos os corruptores’’.
Apesar do escândalo da compra dos votos pró-reeleição na Câmara, Fogaça e outros senadores governistas previram que a emenda será aprovada amanhã sem dificuldades. Ele disse ainda que o Senado vai manter o texto aprovado na Câmara dos Deputados que permite a reeleição uma única vez do presidente da República, governadores e prefeitos. Eles poderão participar da disputa sem deixar o cargo. Segundo Fogaça, a ausência da desincompatibilização vai provocar ‘‘intensos debates de pessoas influentes no Senado’’, mas o parecer não sofrerá alterações.
Trinta senadores pretendem disputar os governos estaduais no próximo ano. Por isso, querem que o atual governador se licencie seis meses antes da disputa. Os senadores-candidatos iniciaram um movimento para alterar o texto da emenda. Mas o relator da proposta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Francelino Pereira (PFL-MG), conseguiu contê-los, ao anunciar que apresentará um projeto para fiscalizar e punir candidatos que utilizarem a máquina pública na campanha. Senadores de diferentes partidos acreditam que a votação da emenda da reeleição em primeiro turno desobstruirá a pauta do Senado.

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