Brasília - O governo intensificou ontem o ''rolo compressor'' para eleger em primeiro turno o candidato a presidente da Câmara Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) nesta segunda-feira. Com o compromisso dos ministros de atuarem na arregimentação de votos junto às bancadas e o reforço do corpo a corpo, cresceu o clima de confiança na base governista. No café da manhã patrocinado pelo presidente da Casa, João Paulo Cunha (PT-SP), que reuniu uma dezena de ministros e todos os líderes aliados, até mesmo com a participação do PDT, contabilizou-se mais de 250 votos em favor de Greenhalgh. Mas, pelos prognósticos do presidente nacional do PT, José Genoino, o apoio teria chegado a 270 votos.
''Podemos fazer mais'', previu Genoino, ao deflagrar uma operação política que extrapola as fronteiras do Congresso. Em troca dos votos da bancada do PSDB ao candidato do PT de São Paulo a presidente da Câmara, ele negocia a adesão do PT ao PSDB para a eleição do presidente da Assembléia Legislativa de São Paulo. O líder do PT na Assembléia Legislativa, Cândido Vacarezza, desembarcará amanhã em Brasília para participar de um encontro das cúpulas petista e tucana para selar o acordo.
Genoino conversou ontem com o presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo (MG), para preparar o terreno. Greenhalgh fez um apelo para que todos continuem trabalhando e pediu posições firmes dos ministros e líderes em favor do nome dele para evitar riscos no plenário. Ao mesmo tempo em que o presidente nacional do PT ficou escalado para cuidar dos presidentes nacionais de partidos, os ministros e líderes foram orientados a reforçar a mobilização nas bancadas neste fim de semana.
O presidente da Câmara pediu maior atenção dos ministros aos deputados e cobrou audiências e até telefonemas que são recusados. Ao fim, João Paulo pediu ajuda efetiva dos ministros, chamando-os à responsabilidade política para que não haja perigo de derrota da administração federal.
''O café da manhã serviu para mostrar força e interesse do governo na eleição de Greenhalgh'', avaliou o presidente nacional do PL, deputado Waldemar Costa Neto (SP), para quem dos 47 votos da legenda, o candidato do PT de São Paulo a presidente poderá contar com até 40. Apesar do gesto simbólico, a presença dos ministros no café teria acrescentado pouco. ''Estamos a dois dias da eleição e não há muito tempo'', observou o líder do PP na Câmara, José Janene (PR), que anteontem teve um encontro com as lideranças do PTB e do PMDB, quando ficou decidido que ninguém faria cobranças diretas aos auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Janene está com dificuldades na bancada, uma vez que o deputado Severino Cavalcanti (PP-PE) concorre com Greenhalgh.
A principal dificuldade entre as legendas aliadas reside no PMDB, que, desde as incursões do ex-governador e atual secretário de Governo e Coordenação do Estado do Rio, Anthony Garotinho (PMDB), vive numa situação dramática. O grupo governista está preocupado com o crescimento da bancada pelas mãos de Garotinho, que trabalha para destituir o líder José Borba (PR).
Já o candidato avulso a presidente da Câmara, Virgílio Guimarães (PT-MG), será penalizado pela Executiva do partido se levar adiante a empreitada. O tipo de punição ainda não está acertado.

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