O senador Esperidião Amin (PPB-SC) disse ontem que a CPI dos Títulos Públicos encontrou debêntures da Banestado Leasing e da empresa paranaense Inepar nos cofres da corretora IBF. A IBF foi uma das corretoras fantasmas que negociaram irregularmente títulos públicos dos Estados de Pernambuco, Santa Catarina e Alagoas. ‘‘Se um cheque meu fosse encontrado nos cofres de uma empresa laranja como a IBF eu também teria que dar explicações’’, afirmou.
Amin disse que o fato dos papéis da Banestado Leasing e da Inepar terem sido encontrados na IBF não significa que as operações feitas pelas duas empresas foram irregulares. Segundo ele, todos os documentos encontrados na IBF estão sendo analisados, o que inclui as duas empresas paranaenses. O grupo Inepar, presidido pelo empresário Atilano de Oms Sobrinho, foi um dos principais financiadores das campanhas de Jaime Lerner (PR) e de Paulo Afonso Vieira (SC), que na eleição de 94 derrotou Ângela Amin, mulher do senador.
O secretário Giovani Gionédis, chefe da Casa Civil, encaminhou ontem ao presidente do Banestado, Domingos Murta Ramalho, pedido de verificação das operações de debêntures feitas pela Banestado Leasing. O ofício foi assinado pelo governador Jaime Lerner. Gionédis disse que essa verificação, que ele preferiu não chamar de auditoria, será feita pela própria equipe técnica do Banestado, controlador da Leasing.
‘‘Queremos saber se as operações de debêntures da Leasing foram prejudiciais ao Banestado. A Leasing emitiu debêntures para buscar recursos no mercado e financiar seus clientes. O governador quer esclarecer se esse dinheiro captado no mercado foi caro ou não’’, explicou.
Gionédis disse que as debêntures emitidas pela Banestado Leasing não tem qualquer relação com o Tesouro do Estado. Ele afirmou que essas operações não dependem do governo do Estado, que é o controlador do Banestado, que por sua vez controla a Leasing.
O secretário disse que os pedidos de esclarecimentos feitos pelo senador Esperidião Amin, quanto as debêntures da Inepar e da Banestado Leasing que foram encontradas nos cofres da IBF, devem ser respondidos pelas próprias empresas. ‘‘Isso não tem nada a ver com o governo, que não teme qualquer efeito político de toda essa polêmica’’, afirmou.
O presidente do Banestado, Domingos Murta Ramalho, não quis falar sobre o pedido de verificação feito pelo governador Jaime Lerner. Murta acumula a presidência da Leasing desde que o cargo foi desocupado por Osvaldo dos Santos Filho, atual secretário de Esporte e Turismo.
A assessoria de Comunicação Social do Banestado informou que nos dois últimos anos a Banestado Leasing fez três operações de emissão de debêntures no mercado, no valor total de R$ 300 milhões. Em 95, a base de remuneração dos papéis foi TR mais 12% ao ano. Em 96, os juros remuneratórios subiram para 18% ao ano.
De acordo com a assessoria de Murta, as debêntures da Leasing foram negociadas com as seguintes instituições: Banestado, Banco Noroeste, Deutsch Bank, Besc, Unibanco, Bandeirantes, Geral do Comércio, Banespa, Pontual e Boasafra.
No início da noite de ontem, a Inepar S/A Eletroeletrônica divulgou nota oficial afirmando que a empresa fez três emissões de debêntures até a presente data. Segundo a nota, a IBF Factoring ‘‘não é instituição financeira credenciada a atuar no mercado de capitais’’. As debêntures da Inepar, cujos valores não foram divulgados, foram negociadas pelos bancos Fator, Bradesco, ABC Roma, Bozano Simonsen, Lloyds, BNDES e BBDTVM.
‘‘As debêntures, após lançadas à subscrição pública, adquirem característica de títulos autônomos e independentes, não cabendo à instituição emissora nenhuma responsabilidade sobre as negociações de que podem ser objeto’’, diz a nota. A Inepar afirma, ainda, que as informações fornecidas ontem pela Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos (Cetip) não registravam qualquer debênture da empresa em nome da IBF.

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