Governo apura desvio na Imprensa Oficial
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terça-feira, 05 de dezembro de 2000
Maria Duarte e Leandro Donatti De Curitiba 
O ex-diretor-presidente Ênio Malheiros e o assessor José Carlos Chain Jabur, desligados do governo Jaime Lerner (PFL) no final do ano passado, estão sendo apontados como responsáveis por um desvio de R$ 1,5 milhão na Imprensa Oficial do Estado, segundo o resultado de uma sindicância realizada a pedido da Secretaria da Justiça. O parecer é datado de 12 de setembro passado. A Imprensa Oficial é o órgão que torna públicos os atos do governo e também organiza a imprime o Diário Oficial do Paraná.
A informação só vazou ontem com a divulgação de um ofício assinado pelo secretário da Justiça, Pretextato Taborda, e endereçado ao líder da bancada do PMDB na Assembléia, Nereu Moura. O deputado pediu informações porque quer saber se o governo tomou medidas administrativas para apurar o caso.
A denúncia tem implicações políticas. Malheiros é amigo pessoal do ex-governador José Richa (PSDB). Foi Richa quem o indicou para o cargo. Logo que soube do afastamento do amigo, Richa rompeu politicamente com Lerner, só voltando a se relacionar com o governador em outubro. Richa é pai do deputado estadual Beto Richa (PTB), eleito vice-prefeito de Curitiba.
A sindicância, assinada por cinco servidores, classifica a gestão de Malheiros como desastrosa, contribuindo para que houvesse corrupção passiva por parte de seus subordinados e ainda concorreu para que houvesse lesão aos cofres da instituição. A comissão sugere o encaminhamento da denúncia para o Ministério Público Estadual (MPE). O secretário Tato Taborda disse que o caso foi encaminhado no dia 22 de novembro. mas o MPE nega.
A conclusão do parecer demorou um ano. A sindicância foi formada em setembro de 1999, quando o secretário da Justiça era o atual secretário da Segurança, José Tavares. O governo não quis explicar ontem o alcance do parecer elaborado a seu próprio pedido.
A Folha apurou que, mais do que nunca, o Palácio Iguaçu quer pôr panos quentes na saída de Malheiros para que os ânimos de Lerner e Richa não voltem a estremecer. A reportagem tentou contato com o presidente da comissão e com o secretário Flávio Orth, mas este não quis se pronunciar, alegando ordens superiores. À noite, a assessoria do governo distribuiu nota lacônica, sem se aprofundar.
Nereu Moura, o autor da denúncia, disse que ela teria partido de ex-funcionários da Imprensa Oficial que, em 1998, acusaram a gestão Malheiros de fraude em licitações e desvio de material. Na sindicância do governo, uma agência dos Correios em Curitiba é acusada de pólo ativo da corrupção.
O silêncio do governo abriu brechas para especulações. A versão corrente ontem não confirmada era que a sindicância do governo revelou o uso da Imprensa Oficial para fins eleitorais em 1998. O beneficiário, na versão da oposição, teria sido Beto Richa. A Folha ligou para o escritório do ex-governador Richa em Curitiba, mas não obteve retorno.


