Governo aposta na vitória da reeleição com sobra de votos
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segunda-feira, 24 de fevereiro de 1997
Agência Folha 
BRASÍLIA - O governo espera aprovar a emenda que permite a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso hoje, em segundo turno de votação na Câmara, com cerca de 30 votos a mais do que na primeira votação, que registrou 336 votos a favor do total de 513 deputados.
O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), vai inaugurar na prática sua gestão no cargo negando os pedidos do PT de votar, de forma separada, a possibilidade de reeleição para governadores e prefeitos. A negativa favorece o governo.
A tentativa do PT de excluir - por meio do chamado DVS (Destaque para Votação em Separado), que retira parte do texto da emenda - a possibilidade de reeleição para governadores e prefeitos pode atrapalhar a estabilidade política entre os aliados de FHC, conseguida na votação em primeiro turno, no dia 28 de janeiro. Nem todos os deputados são a favor da reeleição para todos os chefes do Executivo.
Para recusar o pedido do PT, Temer tem um parecer da Secretaria Geral da Mesa alegando que a proposta inverte o sentido do texto já aprovado. A interpretação, no entanto, é polêmica. Não vamos inverter o sentido da proposta aprovada, vamos apenas limitar a extensão da reeleição, já que muitos deputados não concordam com a reeleição para prefeitos e governadores, afirmou o deputado José Genoino (PT-SP).
O comando da reeleição avaliou que a emenda deverá ter entre 360 e 370 votos favoráveis. Além dos líderes governistas, o comando reúne os ministros Sérgio Motta (Comunicações) e Luiz Carlos Santos (Assuntos Políticos). Como no primeiro turno, Santos deixa o cargo no Executivo para reassumir o seu mandato de deputado e votar na sessão.
Ontem, a preocupação dos líderes era garantir o quórum na sessão. O governo quer, pelo menos, repetir o quórum da primeira votação, quando 504 deputados estiveram no plenário.
O governo está contando com mais 15 votos na bancada do PMDB, onde 67 deputados votaram a favor no primeiro turno, incluindo os parlamentares de Goiás, Pará e Paraíba, que se abstiveram na primeira votação. No PPB, onde 44 deputados votaram a favor, o governo também aposta em mais 15 votos. O governo espera mais votos também no PTB, que deu 19 votos à emenda.


