Brasília - O chefe da Casa Civil, José Dirceu, sugeriu ontem que a forte reação do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Maurício Corrêa, a uma possível inspeção da Organização das Nações Unidas (ONU) no Judiciário brasileiro, com o apoio do governo federal, pode ter motivações políticas. As suspeitas de Dirceu foram levantadas na semana em que o deputado distrital Augusto Carvalho (PPS) manifestou apoio a uma eventual candidatura de Corrêa a governador do Distrito Federal.
Aliados políticos do presidente do STF, que foi senador, dizem que ele poderá ser lançado como uma espécie de terceira via na política local, polarizada entre o PT e o PMDB do governador Joaquim Roriz. Corrêa aposenta-se, compulsoriamente, do Supremo em maio.
Dirceu considera ''um exagero'' dizer que o País perderá a soberania ou que a independência de um dos Poderes será atingida porque a ONU, ''segundo acordos e tratados internacionais'', pede informações ou faz inspeções. ''Isso não corresponde aos fatos. É um exagero. Só espero que não haja por trás outras razões, razões menores, razões políticas'', disse.
Dirceu não contesta o fato de o presidente do STF ter elevado o tom das críticas ao Executivo e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem Corrêa atribui ''má vontade para com o Judiciário'', mas nega que haja uma crise entre os dois Poderes por conta das divergências quanto a uma vistoria da ONU. ''Não há nenhuma crise entre o Executivo e o Judiciário.''
O chefe da Casa Civil insistiu que não há crise institucional, mesmo depois de saber que, na véspera, o ministro do STF estava a tal ponto irritado com o governo que citou, de público, o caso da ministra de Assistência e Promoção Social, Benedita da Silva, que viajara para a Argentina com despesas pagas pelo ministério com o objetivo de participar de um encontro religioso. ''Isso (a menção de Corrêa a Benedita) caracteriza que o ministro Maurício Soares é o ministro Maurício Soares, perdão... que é o ministro Maurício Corrêa. É só isso que caracteriza. Não tem crise nenhuma.''
Em vez de os Poderes da República consumirem esforço e energia com reparos uns aos outros, Dirceu Civil propõe que Executivo, Legislativo e Judiciário se unam para acabar com a violação dos direitos humanos.

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