Curitiba - Foi confirmada ontem a realização da seleção do curso Normal Superior, do Instituto Federal do Paraná (IFPR), no dia 22 de novembro, que será ofertado a ex-alunos do Programa de Capacitação de Docentes ofertado pela Faculdade Vizinhança Vale do Iguaçu (Vizivali), em parceria com a empresa Iesde Brasil. A proposta do curso, no entanto, ainda não foi aprovada pelo Ministério da Educação (MEC). A informação é do próprio IFPR.
O curso é uma nova tentativa de resolver o imbróglio que envolve a emissão dos diplomas de 29 mil pessoas que concluíram o curso da Vizivali. O programa da Vizivali/Iesde foi autorizado em 2002 pelo Conselho Estadual de Educação (CEE) para formar professores do ensino fundamental que já estavam em sala de aula, mas não possuiam graduação. O curso, no entanto, não é reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC), uma vez que o CEE não teria competência para autorizá-lo na modalidade à distância.
O curso do IFPR ofertará uma carga horária complementar de 310 horas-aula aos estudantes e promete conferir aos concluintes um diploma de graduação em Normal Superior. Para ter direito ao curso, os ex-alunos da Vizivali/Iesde terão que se submeter a um processo seletivo, que acontecerá no dia 22 de novembro, caso a proposta seja aprovada pelo MEC e pelo Conselho Nacional de Educação (CNE).
Segundo a assessoria de comunicação do Instituto, a proposta deverá ser encaminhada ao Ministério em breve. Na reunião de governo de ontem, o governador Roberto Requião informou que a iniciativa conta com o apoio do ministro Fernando Haddad. Mas a autorização do curso ainda não está formalizada.
O secretário-chefe de gabinete, Carlos Moreira, que foi responsável pelo anúncio da data da seleção, não atendeu às ligações da FOLHA para comentar o assunto.
Dúvidas
Para que a proposta de complementação do IFPR seja bem-sucedida, as disciplinas cursadas pelos estudantes na Vizivali/Iesde terão que ser reconhecidas. A questão, no então, ainda é alvo de controvérsia. Para a professora Clélia Brandão, presidente do Conselho Nacional da Educação (CNE), em tese, as disciplinas cursadas em um curso irregular não poderiam ser aproveitadas em uma nova graduação.
Se for esse o caso, aos invés de cursar apenas 310 horas-aulas, os ex-alunos da Vizivali terão que cumprir todas as 2800 horas-aula do curso Normal Superior.
O Programa de Formação da Vizivali/Iesde foi ofertado por instituições privadas de 2002 a 2006 que teriam arrecadado um total estimado em R$ 140 milhões. Já o curso do IFPR será gratuito e será ofertado à distância em tele-salas que poderão ser implantadas em escolas estaduais em todo estado.
O caso Vizivali/Iesde é alvo de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Estado desde 2007. Os promotores pedem na Justiça que os ex-alunos sejam indenizados.

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