Governo anuncia pacote contra a violência
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terça-feira, 22 de janeiro de 2002
Agência Folha 
Brasília - Depois de mais um crime de repercussão internacional (o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel), os governos federal e de São Paulo anunciaram outro pacote de medidas na área de segurança pública. Desta vez, elas incluem a possibilidade de proibição de comercialização de telefones celulares pré-pagos e a participação das Forças Armadas em grupos-tarefas destinados ao combate de crimes como sequestro e contrabando de armas.
Para serem colocadas em prática, algumas medidas dependem do envio de projeto de lei ao Congresso, que volta do recesso em 15 de fevereiro, e de sua aprovação. Outras dependem de atos do governo federal.
Esse é o terceiro pacote em um ano e sete meses, sem que o primeiro deles, lançado em 20 de junho de 2000 o Plano Nacional de Segurança Pública , tenha apresentado resultado na queda de índices de criminalidade. O segundo pacote de medidas foi lançado em agosto do ano passado, em razão da proliferação de greves de policiais militares e civis.
O atual pacote foi anunciado ontem à noite no Palácio do Planalto pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e pelo ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira, depois de uma reunião com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo Nunes Ferreira, as sugestões de Alckmin coincidiram com o que o governo federal vinha estudando e foram todas aprovadas por FHC.
Alckmin disse que as discutidas ontem são de caráter federal. Na quarta-feira ele anunciará ações de caráter local em São Paulo. Nunes Ferreira informou que FHC vai se encontrar hoje com o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Renato Guerreiro, para discutir as duas medidas relacionadas a celulares (proibição de pré-pagos e bloqueadores nos presídios).
Nunes Ferreira disse também que recebeu as denúncias da Frente de Ação Revolucionária Brasileira (Farb) contra integrantes do PT no dia 5 de dezembro e que as encaminhou à Polícia Federal, que até agora não encontrou subsídio para a abertura de inquérito policial.
No Paraná, dirigentes do PT irão se reunir na sexta-feira para discutir a segurança de seus filiados. Até mesmo o Lula solicitou para que os diretórios adotassem medidas de segurança mais reforçadas, comentou o presidente estadual do partido, André Vargas. O secretário estadual de Segurança, José Tavares, informou ontem que a Polícia Militar irá reforçar a segurança de prefeitos paranaenses que se sentirem ameaçados e solicitarem proteção policial. Durante o velório de Celso Daniel, foi cogitada a hipótese de que nomes de políticos paranaenses também estão incluídos na lista da Farb. (Colaborou Rodrigo Sais, de Curitiba)


