Governo anuncia iminência da retomada de ferrovia
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de agosto de 2005
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O governo estadual anunciou ontem que espera reaver nas próximas semanas o controle da ferrovia de 248 km que liga Cascavel a Guarapuava, atualmente administrado pela concessionária Ferropar. Segundo o governo, nos últimos oito anos a Ferropar não vem cumprindo as cláusulas contratuais assinadas durante o governo Jaime Lerner (PSB), quando o controle da ferrovia foi concedido ao grupo privado.
O trecho que liga Cascavel a Guarapuava foi construído a um custo de US$ 363 milhões durante o primeiro governo Requião (1991-1994), e era administrado pela Ferroeste, entidade ligada ao poder público. Durante o governo Lerner, a Ferropar recebeu a concessão da ferrovia, assumindo o compromisso de investir US$ 131 milhões no trecho. O governo argumenta que a Ferropar investiu apenas US$ 4 milhões até agora, o que ensejaria a possibilidade de anular o contrato firmado durante o governo Lerner.
O diretor administrativo da Ferroeste, Samuel Gomes, afirma que o governo já tem elementos suficientes para justificar a retomada da rodovia. O Estado já buscou na Justiça a decretação de falência da Ferropar, que resultaria na transferência do controle do trecho para o governo. ''Nos últimos anos, a Ferropar deveria ter transportado cerca de 12 milhões de toneladas de grãos, mas transportou apenas 10% disso. A Ferropar sistematicamente vem descumprindo o contrato, e no nosso entendimento já temos condições de reassumir a rodovia. Imaginamos que a concessionária irá tentar impedir essa transferência na Justiça, mas acreditamos ter um embasamento sólido para retomar a ferrovia para o povo paranaense'', afirmou.
Mesmo que o governo efetivamente consiga retomar o controle do trecho, é improvável que a ferrovia funcione na capacidade total nos próximos anos. Atualmente o Estado não dispõe de locomotivas e vagões para realizar o transporte dos grãos. Ontem, representantes da Ferroeste reuniram-se com membros do Centro dos Ferroviários e do Instituto de Engenharia do Paraná para discutir possíveis soluções para a questão. A presidência do grupo de trabalho foi delegado ao ex-governador Emílio Gomes.
Segundo o presidente do Centro dos Ferroviários, Ney Pimpão, existe uma série de alternativas possíveis caso o governo consiga reverter a privatização. ''Uma delas é permitir que qualquer empresa explore o trecho mediante pagamento do direito de passagem. Outra é organizar um pool de produtores, de modo que a safra possa ser escoada em conjunto. Uma outra alternativa é que as empresas interessadas adquiram os vagões necessários, e abatam o preço dos investimentos com certificados de fretes futuros'', explicou Pimpão.
A Folha procurou a direção da Ferropar, mas foi informada que o único porta-voz autorizado a dar declarações sobre o assunto seria o advogado Juliano Murbach, que estava em viagem na tarde de ontem.


