Curitiba - O governo do Estado não irá conceder reajuste salarial a nenhuma categoria de servidores públicos até o final do ano. A previsão é do diretor-geral da Secretaria de Estado da Fazenda, Nestor Bueno, que compareceu ontem à Assembléia Legislativa para apresentar a prestação de contas do governo referente aos primeiros quatro meses deste ano.
Segundo Bueno, o Estado já teria atingido o limite de gastos com pessoal previsto pela Lei da Responsabilidade Fiscal (LRF). A Secretaria da Fazenda já havia anunciado que o limite estava próximo a ser violado com o reajuste de cerca de 30% dado aos professores da rede estadual de ensino.
O líder do governo na Casa, Natálio Stica (PT), lamentou a informação. ''Já esperávamos por algo semelhante, mas mesmo assim isso nos entristece. Infelizmente, não vamos poder atender os pedidos de várias categorias que merecem o aumento com a velocidade que desejávamos'', afirmou. Stica afirmou porém que tentará encontrar brechas no orçamento para que pelo menos uma gratificação de cerca de R$ 400 aos funcionários da área de Saúde possa ser concedida ainda este ano.
O restante da apresentação das contas do governo do primeiro quadrimestre transcorreu de forma tranquila. A arrecadação total foi de R$ 4 bilhões, e o governo gastou um total de R$ 3,5 bilhões. ''O resultado está dentro das previsões do governo'', comentou o coordenador de administração financeira do Estado, César Ribeiro Ferreira.
O líder da oposição, Durval Almaral (PFL), questionou a atitude do governo Requião frente à arrecadação crescente do Estado. ''Somada a administração direta e indireta, o governo tem R$ 1,6 bilhão em recursos que poderiam ser investidos. Entretanto, o governador Roberto Requião (PMDB) age como o ministro da Fazenda Antonio Palocci, que tanto critica. É uma política de superávit: arrecada-se mais do que nunca, mas o investimento no Estado em áreas como transporte, agricultura e obras em 2003 foi menor do que em 2002'', disparou.
César Ferreira contestou os dados do deputado. ''Na verdade, dizer que existe R$ 1,6 bilhão disponível é precipitado. A contabilidade do Estado é dinâmica. Por exemplo, parte desta verba já pode estar empenhada mas ainda não foi gasta. É o dinheiro que se reserva para o pagamento do 13º salário, construção de obras e fundo para suprir os meses em que a arrecadação é menor'', explicou.

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