Londrina - O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse ontem que o governo federal deve anunciar esta semana mais um corte no orçamento federal de 2009, no valor aproximado de R$ 3 bilhões, em razão da queda de arrecadação resultante da crise econômica mundial.
Somados aos cortes anteriores, o exercício financeiro deste ano já foi reduzido em R$ 63 bilhões. Paulo Bernardo afirmou que ainda não há previsão das áreas que serão afetadas pelo novo corte, mas voltou a descartar qualquer impacto nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a vitrine política do governo Lula.
''Já temos incorporado R$ 60 bilhões a menos no orçamento de 2009 e, pelos nossos cálculos, vamos ter outros R$ 3 bi'', afirmou Paulo Bernardo. ''Embora seja um montante pequeno em relação ao total do orçamento, como se tratada de um corte adicional, vamos ter um problema razoavelmente grande para resolver. O que está decidido é que não mexeremos no PAC.'' No total, as perdas de arrecadação já derrubaram o orçamento de R$ 522 bilhões para R$ 459 bilhões.
Para o orçamento de 2010, que deverá ser enviado ao Congresso no início de agosto, o ministro afirmou que ainda não há previsão de perdas. Ele confirmou, porém, que a arrecadação do próximo ano poderá ser impactada pelas resultados de 2009.
''Ainda que a nossa estimativa de crescimento seja de 4% em 2010, isso se dará sobre uma base fraca, que reflete as perdas de 2008. Mas não temos queda prevista para o próximo ano'', afirmou.

Pré-sal
Durante coletiva ontem à tarde em Londrina, o ministro Paulo Bernardo também confirmou que o governo deve enviar ao Congresso Nacional, até o final de julho, projeto de lei visando a criação de uma nova empresa estatal para gerenciar a extração do petróleo da camada pré-sal (de alta profundidade), no litoral do Sudeste (SP, RJ e ES).
De acordo com ele, o governo quer fomentar a participação de capitais privados no processo de exploração, inclusive internacional, mas o Brasil não vai se transformar num ''exportador de petróleo''.
''A estatal terá um quadro enxuto, com remuneração de técnicos em valores praticados pelo mercado e terá o objetivo de cuidar dos interesses da União no pré-sal. Queremos investir em refinarias e na transformação dos derivados do petróleo.'' O ministro afirmou também que a remuneração dos parceiros privados será definido em leilão, dependendo do volume de reservas de cada poço.

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