Governo anuncia 4 novos ministros
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quinta-feira, 02 de abril de 1998
Agência Estado 
O governo praticamente concluiu ontem a reforma ministerial, com o anúncio de quatro novos ministros e a extinção dos cargos de ministro extraordinário de Assuntos Políticos (que era ocupado por Luiz Carlos Santos) e de Esportes (ocupado por Pelé). O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) substitui Íris Rezende (PMDB-GO) na Justiça, e Waldeck Ornelas (PFL-BA) assume a Previdência Social no lugar de Reinhold Stephanes (PFL-PR). O senador Freitas Neto (PFL-PI) será o titular do novo Ministério da Reforma Institucional, que deverá cuidar das discussões sobre as reformas tributária e política. Na Agricultura, o gaúcho Francisco Turra (PPB) entra no lugar de Arlindo Porto (PTB). O presidente Fernando Henrique Cardoso convidou Porto para ser o titular do Ministério do Trabalho. Porto, que não queria sair da Agricultura, deve recusar a oferta.
A concretização das reformas obrigaram o governo a fazer um grande esforço para evitar que as modificações provocassem um racha entre os partidos da base aliada. No PFL, os senadores pressionaram a cúpula do partido a fazer indicações de políticos para o Ministério como uma forma de equilibrar a forte nomeação do senador José Serra (PSDB-SP) para o Ministério da Saúde. Antes da entrada de Serra, o PFL pretendia indicar técnicos para cumprir um mandato tampão no governo, prevendo que todo o primeiro escalão seria reformulado caso Fernando Henrique se reelegesse.
Com isso, o PFL trocou indicações de técnicos desconhecidos como Renato Follador, Aloisio Sotero e José Carlos Gomes de Carvalho, o Carvalhinho, pela manutenção do ministro Gustavo Krause no Meio Ambiente e pelas indicações de senadores - Freitas Neto e Ornelas acabaram escolhidos. Até essa decisão, no entanto, os pefelistas trocaram farpas e acusações. Líderes do partido avaliam que o PFL, agora, vai conversar internamente para curar as feridas.
Briga mais séria aconteceu entre PTB e PPB pelo Ministério da Agricultura. Depois de deslocar Paulo Paiva do Ministério do Trabalho para o Planejamento, o governo avaliou que o PTB já tinha sido prestigiado ocupando uma importante pasta na área econômica. Por isso, decidiu dar mais poder ao aliado PPB (que tem uma bancada na Câmara três vezes maior do que a do PTB).
Com o PPB manteve a Indústria e Comércio - José Botafogo Gonçalves substituiu Francisco Dornelles - e planejou passar a Agricultura para o partido, deslocando o ministro Arlindo Porto, do PTB, para o Trabalho, vago com a mudança de Paiva. Os petebistas gritaram pela mexida. O Ministério da Agricultura é nosso respiradouro político, reclamou o deputado Paulo Heslander (MG), líder do PTB. Se o Ministério do Trabalho é tão bom, porque o PPB não fica com ele?, reclamou.
Não adiantou. Porto está retornando hoje ao Brasil, suspendendo uma missão para Japão e Austrália. Deve recusar a oferta do Ministério do Trabalho, apesar dos pedidos de alguns políticos do PTB, que desejam o cargo. Para a Agricultura, vai seguir mesmo Francisco Turra, indicação pessoal de Fernando Henrique.
A nomeação do senador Renan Calheiros para o Ministério da Justiça permitiu que o presidente Fernando Henrique Cardoso encerrasse as complicadas negociações com o PMDB na reforma ministerial e ainda resolvesse vários problemas políticos. Além de Renan, que foi líder do governo Collor na Câmara, o PMDB mantém o deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS) no comando dos Transportes e o secretário de Políticas Regionais, Fernando Catão (PMDB-PB).
Não é por acaso que Fernando Henrique optou pelo senador alagoano, diante da lista sêxtupla de senadores peemedebistas que a própria cúpula do partido tratara de lhe entregar na noite da véspera. A escolha de Renan abre caminho para a candidatura do presidente do PSDB, senador Teotônio Vilela, ao governo de Alagoas, facilita a candidatura do senador pefelista Guilherme Palmeira (AL) ao Senado, e, de quebra, ainda produz efeitos positivos na difícil costura da unidade do PMDB.
Além de se ajustar ao perfil de bacharel em Direito que governo e partido queriam para o comando da Justiça, Renan tem o respeito e o apreço dos rebeldes do PMDB que ainda insistem na candidatura própria ao Palácio do Planalto. Durante todo conflito com os governistas que lutavam pelo apoio dos convencionais do PMDB à reeleição de Fernando Henrique, a ala do candidato próprio ouviu as ponderações de Renan e fez dele o interlocutor do grupo junto à cúpula aliada ao governo. Renan sempre frequentou o gabinete do presidente rebelde do partido, Paes de Andrade (CE), onde era tratado como um dos nossos, e saiu da disputa de bem com o governo e sem a pecha de traidor.
O Ministério da Justiça tira Renan da disputa pelo governo de Alagoas, que ele já tentara e perdera em 1990. Foi derrotado por Geraldo Bulhões, eleito com o apoio do ex-presidente Fernando Collor, o aliado com quem Renan mais contava para chegar ao Palácio dos Martírios e com quem acabou rompendo.


