Governo antecipa discussão sobre Copel
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domingo, 22 de novembro de 1998
Leandro Donatti 
O governo do Estado vai antecipar a discussão da mensagem que divide a Copel em companhias. O Palácio Iguaçu envia na semana a proposta para análise da Assembléia Legislativa. Pelo cronograma inicial anunciado pelo governador Jaime Lerner (PFL), no início do mês, a divisão da Copel só passaria pelo crivo dos deputados estaduais no ano que vem, depois de feita uma modelagem, espécie de raio x completo da empresa.
A antecipação foi exigida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A instituição financeira, com sede no Rio de Janeiro, estuda a possibilidade de liberação de um empréstimo-ponte de R$ 1,2 bilhão para o Paraná, que quer capitalizar o novo Fundo de Previdência e ter sobra de recursos em caixa para pagar os salários e o 13º do funcionalismo público estadual até o dia 20 de dezembro.
Em troca do empréstimo, o BNDES quer que o Paraná avance na desestatização. Além da Copel, a Sanepar também está no rol das empresas públicas que devem ser entregues à iniciativa privada. O desmembramento da Copel em companhias tem por objetivo facilitar sua comercialização. O governo não fala sobre os detalhes da cisão, mas já se sabe que a Copel terá a distribuição, geração e transmissão de energia desmembradas.
Na mensagem que vai à Assembléia, o governo pede autorização para dividir, sem revelar se há setores que serão mantidos sob o controle estatal. Fontes no Palácio Iguaçu não souberam precisar ontem se a proposta contempla novas operações envolvendo ações. Segundo o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, o Estado dispõe de 68% das ações ordinárias (com direito a voto) e 25% das preferenciais (sem direito a voto).
A bancada governista já foi avisada pelo seu líder, o deputado Valdir Rossoni (PTB), da velocidade que a votação da cisão da Copel exige. Em paralelo, os aliados de Lerner dão agilidade a outra mensagem do Palácio Iguaçu, que amplia as atividades da Sanepar, que não fica mais restrita à captação, distribuição e tratamento de água. A proposta está confirmada para passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na terça-feira.
A oposição vai ter que trabalhar contra o tempo e contra a maioria governista para frear o avanço na desestatização. O PT e o PMDB prometem uma ofensiva durante a tramitação da matéria. Sem informações oficiais e fora do Poder, o PMDB aguarda a mensagem da Copel para se posicionar. Com relação à Sanepar, a opinião já está formada. A oposição estranha o empenho do governo em ampliar a competência da Sanepar agora, quando já é público que a venda da estatal deve estar consumada até 2001.


