Governo ameniza discurso e admite negociar com empresas
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quinta-feira, 05 de junho de 2003
Maria Duarte<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, recebeu ontem da Procuradoria Geral do Estado (PGE) as seis minutas da mensagem que autoriza o Estado a encampar o pedágio. Minuta é a primeira redação de um documento. O texto final deve ser encaminhado na segunda-feira à Assembléia Legislativa. A mensagem chegará, portanto, com atraso, pois a previsão inicial do governo era encaminhar o texto esta semana. São seis minutas porque são seis concessionárias que cobram pedágio no Anel de Integração.
Poucos dias depois de anunciar a encampação alegando que as concessionárias se mostraram resistentes a conversas, o Palácio Iguaçu ameniza o discurso e volta a falar em acordo. Na tarde de ontem, Quintana disse que o projeto de encampar o pedágio no Paraná ''não interrompe as conversas entre o governo e as concessionárias''. Segundo a Comunicação Social do Palácio Iguaçu, representantes de algumas concessionários estiveram ontem no Palácio Iguaçu, ''dando sequência às negociações para que as tarifas de pedágio no Estado sejam reduzidas substancialmente, como pretende o governo''.
''O pedido de encampação não inviabiliza a disposição do governo de negociar, atitude que ainda está se buscando'', amenizou Quintana. O procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, explicou que em cada minuta há uma justificativa em relação a cada lote. ''Em uma delas, mostramos que há custos financeiros elevados cobrados dos usuários, chegando a 47% de lucro'', disse o procurador-geral.
O governo do Estado pretende reduzir em 30% o preço das tarifas, cujo valor médio fica entre R$ 3,00 e R$ 4,00. Esse percentual foi considerado ideal pelo presidente regional da Associação Nacional dos Transportes, Valmor Weiss. Na opinião de Weiss, isso permitirá que tanto o Estado quanto o usuário ''saiam lucrando''. Ele acredita que o preço cobrado atualmente pelas concessionárias está inviabilizando o transporte da safra, principalmente o de grãos, de menor valor agregado. ''O Paraná perde poder de exportação com essa situação'', avaliou.
Procurado pela Folha, o Ministério dos Transportes informou ontem que o governo federal não precisa avalizar a encampação pretendida pelo governo do Paraná. Segundo a assessoria de imprensa do ministério, ao transferir para o Paraná a responsabilidade por trechos federais, a União já autoriza o Estado a tomar decisões em relação a esses mesmos trechos. Dos 2,4 mil quilômetros de rodovias pedagiadas no Estado, 80% são de estradas federais. O governo federal avalizou o contrato entre governo do Estado e concessionárias, que começaram a cobrar pedágio em 1998.


