BRASÍLIA - O governo federal voltou ontem a ameaçar de demissão os 55 mil servidores não-estáveis caso a reforma administrativa não seja aprovada, e afastou a hipótese de conceder reajuste neste ano. ‘‘Têm risco de serem demitidos (sem reforma neste ano). Os 55 mil estão sob risco desde que foram admitidos’’, disse Claudia Costin, secretária-executiva do Ministério da Administração, cargo que corresponde ao de vice-ministra. ‘‘Estamos chegando ao limite (das possibilidades de redução de gasto). Sem a aprovação da emenda, vamos ter que adotar outras medidas para resolver o problema fiscal’’, afirmou Costin. Ela se disse confiante na aprovação da reforma pelo Congresso.
Nesta semana, em reunião com os líderes da base governista sobre a reforma administrativa, o presidente Fernando Henrique Cardoso já havia ameaçado de demissão os servidores sem estabilidade. Sobre o aumento para o funcionalismo, Costin afirmou que só há possibilidade de reajuste para corrigir distorções salariais em algumas carreiras. ‘‘Não acredito que haverá reajuste linear (para todos) neste ano’’, disse.
O ministério anunciou ontem que houve redução dos gastos com a folha do funcionalismo público. Em janeiro de 96, o gasto do governo ficou em R$ 22 bilhões (12 meses acumulados). Em 97, os gastos foram de R$ 21,2 bilhões. Segundo Costin, a redução se deve à auditoria realizada na folha, à centralização pelo ministério do pagamento de sentenças judiciais, ao bloqueio dos reajustes salariais e ao pacote de medidas para cortar os gastos, lançado no ano passado.’’

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