Brasília - O governo vai investir na segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para alavancar a campanha presidencial da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. O anúncio do PAC 2, em março, coincidirá com a época em que o governador de São Paulo, José Serra, vai assumir oficialmente sua candidatura à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo PSDB. Feito sob medida para turbinar o carro-chefe da campanha de Dilma, o PAC 2 será um dos temas mais importantes da primeira reunião ministerial do ano, marcada para quinta-feira, na Granja do Torto.
Lula vai orientar os ministros a adotar como foco de suas ações, nesta reta final do governo, as grandes cidades do País. Festejando números expressivos de popularidade nos grotões nordestinos, ele cobrará empenho da equipe para aumentar agora a simpatia nas regiões metropolitanas do Sul e Sudeste, onde a oposição está melhor posicionada para o início da disputa com a petista Dilma.
O Palácio do Planalto planeja uma ofensiva no Sudeste, principalmente em São Paulo e Minas, os dois maiores colégios eleitorais do País, atualmente capitaneados pelos tucanos. Embora a liberação de recursos só esteja prevista para o ano que vem, a atenção do governo está voltada agora para as 29 regiões metropolitanas e para a Rede Integrada de Desenvolvimento Econômico de Brasília, que englobam um total de 463 cidades, onde vivem 79 milhões de pessoas - 43 % da população brasileira.
Na prática, o guarda-chuva do PAC 2 vai abrigar um conjunto de projetos novos e até mesmo velhos, sob nova embalagem, em transporte público, prevenção de enchentes, saneamento básico, tratamento de lixo, internet nas favelas e renovação tecnológica.
O assunto foi tema da reunião de ontem de Lula com o grupo que compõe a coordenação política do governo. ''O presidente quer que esse PAC tenha foco nas regiões metropolitanas e não vai permitir que o êxito no enfrentamento da crise mundial afete as ações da economia e os programas sociais em 2010'', afirmou o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha.

Ritmo frenético

Batizada de ''mãe do PAC'', por Lula, Dilma vai viajar com o presidente em ritmo frenético, a partir de agora. A equipe do PT dividiu a campanha da ministra em três fases para preparar a estratégia contra Serra até julho.
A primeira etapa irá até 18 de fevereiro, quando o PT fará a abertura de seu 4.º Congresso Nacional e homologará a candidatura de Dilma. Nessa fase, que já está em curso, ela fará uma espécie de ''aquecimento'' petista e contatos políticos com partidos da base aliada. Percorrerá Estados como São Paulo, Minas, Rio e Pernambuco.
Depois do congresso do PT e até 3 de abril - quando deixará o cargo de gerente do governo para entrar na corrida eleitoral -, Dilma intensificará o roteiro de inaugurações ao lado do presidente, seu maior cabo eleitoral. A partir de abril, ela ganhará um escritório na sede do PT, em Brasília.
O discurso da campanha, que terá como mote o ''novo desenvolvimentismo'', vai bater na tecla da comparação entre os oito anos do governo Lula e de Fernando Henrique Cardoso. Mesmo com as estocadas do tucanato, o Planalto insistirá na tática de campanha plebiscitária.
Apesar do empenho para ganhar os holofotes com o anúncio do PAC 2, o governo ainda não fechou o total de recursos previstos para o programa, que será incluído no Orçamento de 2011. ''O importante é que a gente tenha a garantia de que o PAC se manterá no País, com a continuidade do ritmo de investimento público'', disse Padilha. ''Isso dará segurança para a área pública e o setor privado.''
Articulador político do governo, Padilha deixou escapar que o PAC 2 também servirá para o presidente manter o ânimo da equipe no último ano de mandato, período que ficou conhecido nos bastidores do Planalto como ''café frio''. ''O desejo do presidente de anunciar as linhas gerais do PAC 2 é até para envolver esses ministros na conclusão da proposta, em março'', insistiu o ministro. ''A máquina tem que continuar andando.''

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