Governo ainda não sabe quanto vai economizar
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sexta-feira, 11 de abril de 1997
Agência Estado 
BRASíLIA - Quantos bilhões de reais o governo vai economizar com a aprovação da reforma administrativa? Segundo o porta-voz da Presidência da República, Sérgio Amaral, são R$ 18 bilhões em cinco anos. O ministro da Administração, Bresser Pereira, é menos otimista. Afirmou que a reforma vai permitir uma economia de R$ 12 bilhões, ou 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB). E o ministro dos Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos, munido de dados fornecidos pelo Ministério do Planejamento, inflacionou as contas: a economia chegaria a R$ 30 bilhões até 2002.
Na ponta do lápis do ministro do Planejamento, professor Antônio Kandir (foto) - cálculos que Luiz Carlos Santos carregou debaixo do braço na semana em que a Câmara aprovou o substitutivo do relator da emenda da reforma administrativa, Moreira Franco (PMDB-RJ) -, o impacto no primeiro ano da reforma vai permitir uma economia de R$ 6 bilhões. Nos cinco anos subsequentes, segundo Kandir, mais R$ 12 bilhões seriam deduzidos das folhas de pagamento do governo.
Nas tabelas preparadas pelo ministro do Planejamento para ajudar a convencer os parlamentares a aprovar a reforma do Estado, apenas o crescimento vegetativo das folhas salariais, sem a emenda da reforma administrativa, é de R$ 2,5 bilhões ao ano. O porta-voz Sérgio Amaral repetiu, durante a semana inteira, que a reforma administrativa é essencial para o País, para a reorganização da administração pública, sobretudo nos Estados e municípios.
O ministro Bresser Pereira explicou que a redução dos gastos com pagamento de pessoal só atingiria R$ 12 bilhões depois que estados e municípios tomassem todas as providências permitidas pelos dispositivos da reforma administrativa. O ministro não soube dizer porque o governo usava números tão diferentes ao acenar com os benefícios que a emenda da reforma do Estado trará para os governos. Preferiu brincar: Uns falam em economia de 1% do PIB, outros em 2%; fico no meio termo, 1,5%.


