Brasília- O governo ainda não definiu qual será o porcentual de aumento do salário mínimo e do reajuste dos servidores públicos em 2004. A falta de definição sobre esses temas é um dos impeditivos à conclusão da proposta de Orçamento da União, que terá que ser encaminhada ao Congresso Nacional até o dia 29. O ministro do Planejamento, Guido Mantega, deixou claro ontem que não se deve esperar reajustes ''grandes'', o que torna ainda mais difícil para o governo cumprir a promessa de campanha de duplicar o valor do salário mínimo durante o mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A consolidação, no ano passado, do aumento do salário mínimo acabou envolvendo governo e parlamentares num grande processo de negociação. Ao final, o valor do mínimo acabou sendo reajustado, nominalmente, em 20%, passando de R$ 200,00 para R$ 240,00. Contabilizando, entretanto, a inflação de 16,76% registrada entre maio de 2002 e abril de 2003, o reajuste real do valor do salário mínimo foi de apenas 2,77%. ''Aumento muito grande não vai ter, mas será um reajuste real melhor do que o de 2003'', assegurou Mantega.
Para cumprir a promessa feita pelo presidente Lula durante a campanha eleitoral, o governo seria obrigado a reajustar o mínimo, em termos reais, em 25% ao ano entre 2004 e 2006. Apesar dessas indefinições, o governo já acertou o tamanho da economia que terá que ser feita para pagamento de juros em 2004, o chamado superávit primário das contas públicas.
Segundo Mantega, o setor público consolidado terá que fazer um superávit primário de 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB), o que corresponderá a uma economia de R$ 73,5 bilhões. A estimativa do governo é que o PIB crescerá no próximo ano 3,5%, chegando a R$ 1,730 trilhão. ''Acho que o crescimento poderá ser maior, mas temos que ser modesto na elaboração do Orçamento'', salientou o ministro.

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