Curitiba - Apesar do tom otimista impregnado nos discursos oficiais sobre o marco regulatório do pré-sal, o governo federal admite desafios, principalmente na área de tecnologia, e confessa temer a chamada ''doença holandesa'', quando o excesso de valorização da moeda nacional ''quebra'' as demais indústrias do País. ''O grande desafio é evitar os problemas que surgem quando há abundância. Porque o pré-sal, por si só, não assegura nada. É necessária a vontade política dos homens para que o 'bilhete premiado' se transforme em riqueza para o seu povo'', disse a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, durante a abertura do seminário ''Pré-sal e o futuro do Brasil'', realizado nos últimos dias 22 e 23 em Brasília, com a participação de autoridades envolvidas no processo do marco regulatório.
Dilma afirma que o governo federal atua com três focos para tentar ''transferir a riqueza para a sociedade''. ''Primeiro, o petróleo e o gás natural pertencem ao povo, à União'', disse ela, se referindo à proposta de contrato de partilha com as empresas de petróleo, e não de concessão. Para o governo federal, o sistema de partilha é a ''coluna vertebral'' de todo o marco regulatório. ''Em segundo lugar, o País não pode se transformar em exportador de óleo bruto. Nós vamos exportar conhecimento. Em terceiro, não podemos gastar a riqueza com qualquer coisa. O objetivo é que o Brasil antecipe sua saída da pobreza. Vamos reduzir o prazo. O grande desafio é transformar a riqueza mineral em riqueza social e humana'', discursou ela.
Criticada pela oposição por levantar o assunto do pré-sal num período pré-eleitoral, Dilma explica que há urgência na criação de um marco regulatório. ''Quem vai investir se não souber as 'regras do jogo'? E tem algo anterior à produção (efetivamente) do petróleo, que é o bônus de assinatura do contrato'', disse ela. Só em 2017, a Petrobras prevê uma produção considerada significativa de petróleo no pré-sal. Outro ponto diz respeito ao fundo social que a União quer criar para receber os rendimentos do óleo e distribuir em programas de desenvolvimento social. Dilma afirma que a destinação dos recursos ''tem que ser decidida hoje''.
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, que abriu o segundo dia do mesmo seminário, em Brasília, ratificou a necessidade de agilizar as regras. Um dos desafios que ele colocou foi a questão dos investimentos necessários para a exploração e produção. Para ele, será preciso contar com ''força financeira nacional e internacional''.
Lobão acredita, contudo, que vale a pena apostar no petróleo. ''Embora busquemos com ardor fontes alternativas de energia, por muito tempo o petróleo ainda será fundamental. É a matéria-prima de qualquer plástico. Um bem essencial, que integra o cotidiano das pessoas'', disse ele. Para o ministro, a descoberta do pré-sal significa uma ''redefinição do Brasil no mundo'': ''Agora estamos numa posição de folga''.

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