Governo admite reajustar salário mínimo com base na inflação
Um dia após o PMDB anunciar que defenderia a reposição da inflação nos salários, o presidente Fernando Henrique Cardoso admitiu a possibilidade de reajustar o salário mínimo, em maio, com base na inflação. Ontem, o PSDB reclamou ao presidente estar defendendo sozinho a manutenção dos salários nos patamares atuais.
No final da manhã, Fernando Henrique recebeu no Palácio da Alvorada o presidente nacional do PSDB, senador Teotônio Vilela Filho (AL), e o líder do partido na Câmara, deputado Aécio Neves (MG). O presidente disse que irá analisar uma reposição salarial, mas lembrou que a prioridade é a estabilidade da moeda, disse Teotônio Vilela. Segundo ele, ainda existe uma preocupação adicional do governo sobre o impacto da reposição na Previdência, já que os benefícios são indexados ao salário mínimo.
O deputado Aécio Neves foi na mesma linha. O momento é grave, mas pelo menos acho que é possível pensar a reposição salarial, comentou o líder tucano. Segundo Aécio, o que não pode haver é uma reindexação. Ele ressaltou que a discussão será exclusivamente em cima do salário mínimo. Para os demais setores da economia e categorias poderá haver uma livre negociação, defendeu. O deputado tucano acha que reposição poderá ficar entre 4% e 6%. O ideal seria uma compensação integral da inflação durante o ano, observou Aécio.
Neste episódio, os tucanos acabaram sendo atropelados pelos peemedebistas. Isso porque a iniciativa do PSDB de pedir o reajuste salarial veio um dia depois de o presidente do PMDB, senador Jáder Barbalho (PA), ter exigido publicamente a reposição salarial. Nem conheço a proposta do PMDB, declarou Aécio. O PSDB assume o ônus de ser governo, completou. Essa não é uma bandeira do PMDB, mas uma reivindicação legítima da sociedade, argumentava Teotônio.
A comissão de Economia, Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados aprovou ontem requerimento do deputado Aloizio Mercadante (PT-SP) de convocação do ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, para discutir uma nova política salarial para o país, em função da desvalorização do câmbio.
Mercadante e outros integrantes da comissão estarão na próxima segunda-feira, às 16 horas, na sede da Fiesp, em São Paulo, para dar o início à discussão da política salarial. Mercadante também disse que os integrantes da comissão irão procurar os presidentes da Força Sindical e da Central Única dos Trabalhadores (CUT).Arquivo FolhaNegociaçãoAécio Neves, líder do PSDB: O momento é grave, mas acho que é possível pensar a reposição salarialAgências Estado
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