O coordenador da campanha do presidente Fernando Henrique Cardoso, Euclides Scalco, admitiu ontem que o programa de governo da candidatura à reeleição adotou programas do PT, como o Bolsa-Escola. Scalco, no entanto, negou veementemente a acusação de plágio, feita também ontem pelo candidato petista Luiz Inácio Lula da Silva. ‘‘Copiar o que é bom não é crime’’, disse. ‘‘Ninguém patenteou projeto nenhum; é evidente que não existe roubo de idéias’’, afirmou.
Para Scalco, se um projeto é bem-sucedido e demonstra eficiência, não existe qualquer motivo para que não seja adotado. ‘‘Se o Bolsa-Escola fez bem para as crianças de rua e o programa Médico de Família também foi bom, não tem porque não adotá-los’’, justificou.
Scalco citou o ditador Fidel Castro para lembrar que o programa Médico de Família surgiu em Cuba e foi adotado por administrações de vários países. ‘‘Isso foi adotado a primeira vez em Cuba e nunca o Fidel ficou amolado por ver seu projeto copiado’’, afirmou. ‘‘Ao contrário, ele até exporta’’, completou.
Para reforçar a opinião, Scalco citou o caso do governador petista do Distrito Federal, Cristóvam Buarque, que chegou a propor a permanência do ministro da Fazenda, Pedro Malan, e do presidente do Banco Central (BC), Gustavo Franco, no governo, por cem dias, no caso de vitória de Lula. ‘‘Cristóvam também fez um reconhecimento político de grande importância ao defender a permanência de Malan e Franco’’, disse. ‘‘O que ele pediu, na verdade, é que a política deles permaneça’’, contou.
Segundo Scalco, esse tipo de atitude ‘‘faz parte da vida política’’. ‘‘O Cristóvam reconheceu o valor e a importância da estabilidade econômica’’, contou. ‘‘Reconhecer o que é bom é uma demonstração de grandeza política’’, garantiu.

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