Governo adia urgência para inativos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de janeiro de 1999
Lucio Vaz e Denise Madue¤o Agência Folha 
O governo preferiu não correr risco de derrota e adiou para hoje a votação do pedido de urgência para o projeto que institui a cobrança previdenciária dos servidores públicos inativos e aumenta a contribuição dos servidores em atividade. O governo vai tentar aprovar hoje a urgência e o próprio projeto.
Apesar da mobilização da base, os líderes se sentiram inseguros com o quórum na sessão de ontem. Às 18h40, 442 deputados estavam no plenário. Os aliados queriam um mínimo de 470. Para aprovar o requerimento de urgência são necessários 257 votos a favor. Para aprovar o conteúdo do projeto o governo precisa de maioria simples (metade mais um dos presentes, respeitado o quórum mínimo de 257 presentes na sessão).
Em reunião pela manhã, os aliados haviam decidido votar o requerimento de urgência ontem mesmo, atendendo a um pedido do presidente Fernando Henrique Cardoso. O governo quer dar uma demonstração de eficiência ao FMI ao aprovar o ajuste fiscal. O líder do PMDB, Geddel Vieira Lima (BA), era o mais cauteloso. Conseguimos reverter muitos votos e acho que dá para aprovar, mas continuo recomendando cautela. O tema é especial, toca direto no interesse das nossas bases, disse Geddel.
O deputado Arthur Virgílio (PSDB-AM), secretário-geral do PSDB, usou uma analogia futebolística para descrever a expectativa do governo. Temos tudo para ganhar. O time é favorito e joga bem. Mas não podemos fazer ou perder pênalti, disse. E completou, ao se referir ao esforço do governo para aprovar o projeto: As negociações fisiológicas estão suspensas. É preciso ter um Brasil para se negociar qualquer coisa.
Em contatos pessoais ou por telefone, os ministros que têm influência sobre os parlamentares argumentavam que o projeto foi modificado, atendendo as principais reivindicações da base, e que o governo precisa dar uma demonstração de controle da economia do País.
O deputado Delfim Netto (PPB-RJ), ex-ministro da Fazenda, conseguiu diminuir resistências na bancada. Ele havia votado contra a cobrança da contribuição dos inativos em dezembro do ano passado, mas declarou que vai votar a favor. Se não votarmos isso amanhã, vamos jogar o dólar lá para cima. Voto isso contrariado porque na verdade isso é um confisco. Mas nós não temos liberdade (de escolha), disse ontem Delfim.
Segundo o deputado José Aníbal (PSDB-SP), 75 deputados do total de 94 votarão a favor do projeto. Em dezembro, foram 50 votos favoráveis.
O ministro Eliseu Padilha (dos Transportes) preferiu buscar os votos pelo telefone. Conversou com cerca de 50 deputados do partido desde segunda-feira passada. A bancada se reúne hoje às 10 horas com a presença dos ministros do partido. O PMDB e o PPB são os partidos que apresentam as maiores dissidências nessa questão.


