Curitiba A equipe de transição designada pelo governador eleito Roberto Requião (PMDB) saiu vitoriosa na primeira queda-de-braço travada com o grupo do atual governador Jaime Lerner (PFL). O impasse quanto ao adiamento do concurso público para 13,6 mil professores da rede pública estadual foi dissipado ontem. A equipe de Requião conseguiu transferir a data e o método de realização do concurso para o início do ano que vem.
``Foi uma decisão pessoal do próprio governador Jaime Lerner. Ele disse que os cargos serão criados para o próximo governo e seria justo que o próximo governo decidisse sobre eles``, minimizou ontem o secretário de Estado da Fazenda e presidente da Copel, Ingo Hubert.
O vice-governador eleito Orlando Pessuti (PMDB) disse que a equipe de transição de Requião deverá estudar alterações para o concurso, inicialmente previsto para ser realizado no domingo. ``Vamos discutir as alterações com muito cuidado e ao lado dos representantes da APP-Sindicato. Teremos tempo agora``, salientou. A decisão do adiamento foi anunciada momentos depois da reunião da equipe de transição dos dois governos, ocorrida no prédio da Secretaria da Fazenda, em Curitiba.
Na reunião, foram apresentados documentos sobre a situação financeira do Estado. A dívida anunciada por Hubert chega a R$ 9,7 bilhões, sem contar os R$ 3 bilhões em precatórios (créditos garantidos por decisão judicial) que estão sendo discutidos na Justiça. A equipe de Requião não quis comentar os dados apresentados. ``Vamos estudar tudo detalhadamente antes de nos pronunciar sobre a dívida do Estado. Se tivermos qualquer dúvida, vamos cobrar``, avisou Pessuti, lembrando que a dívida do Estado estimada pelo PMDB chegaria a R$ 13 bilhões.
Uma nova reunião ficou marcada para o dia 6. Em pauta, a atual situação do Intituto de Previdência do Estado (IPE), Hospital da Polícia Militar (HPM), Serviço de Assistência à Saúde (SAS) e Paraná Previdência. No dia 13, serão discutidos os contratos com as concessionárias das rodovias federais que cortam o Paraná (pedágios) e com as montadoras. ``Queremos conhecer a realidade do Estado e fazer alguns ajustes no orçamento. Temos pouco tempo para isso``, adiantou Pessuti.
A equipe da Fazenda deverá elaborar e apresentar nos próximos dias todos os documentos relativos a licitações em andamento. ``Vamos agilizar todos os dados. O governador nos determinou que facilitássemos ao máximo a transição``, lembrou Hubert. No orçamento enviado para a Assembléia Legislativa no dia 30 de setembro, estão previstos recursos para os contratos em andamento nos primeiros seis meses do próximo governo. Entre os contratos beneficiados, estariam recursos para as Associações de Pais e Amigos de Excepcionais (Apaes), vilas rurais e programas de asfaltamento de rodovias estaduais.

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