Governo abre o cofre e vai investir R$ 800 milhões
Brasília- No mesmo dia em que houve uma pequena, mas sintomática redução das taxas básicas de juros (leia no caderno Folha Economia), o governo federal decidiu que liberará até o fim do mês R$ 800 milhões do Orçamento de 2003 para investimentos em habitação, transportes e saneamento básico. O comunicado foi feito pelo chefe da Casa Civil, José Dirceu, durante um café da manhã com os líderes dos partidos da base governista, na casa do presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP). Os R$ 800 milhões foram contingenciados no início do ano pelo governo, que adotou uma severa linha de arrocho fiscal.
''Queremos que o País volte a crescer, sem risco de inflação. Por isso, não podemos fazer uma acentuada queda dos juros, como gostaríamos. Mas podemos criar contrapesos, fazendo com que os recursos sejam gastos em investimentos que não geram inflação. A liberação da verba pelos ministérios dará uma aquecida na economia'', explicou Dirceu aos líderes e ao presidente da Câmara, segundo relato dos presentes. ''Não há nada de xenofobia, nada contra o capital internacional, mas temos, neste momento, de dar oxigênio para as empresas nacionais.''
Dirceu lembrou aos líderes que o novo governo assumiu com a inflação em alta, balança comercial deficitária, dólar a 4 reais e desemprego elevado. Por isso, teve de adotar uma linha de arrocho fiscal sem precedentes, elevando a meta de superávit primário de 3,75% para 4,25%. ''Não podemos brincar com a dívida, por isso, precisamos fazer o superávit'', disse, ainda conforme narrativa de líderes. ''O drama de nossa dívida é que ela está espalhada pelas mãos de poupadores que compram títulos do Tesouro. Não podemos chamá-los para uma reunião, como faríamos com os banqueiros.''
Risco - ''O ministro disse que o governo vai começar uma política de correr um pouco mais de risco'', contou o líder do PMDB na Câmara, Eunício Oliveira (CE). ''A área econômica já tem segurança de que vai cumprir a meta do superávit deste ano'', completou o vice-líder do governo, deputado Professor Luizinho (PT-SP).
A avaliação de Dirceu, segundo o líder do PC do B, Inácio Arruda (CE), é que ''o ajuste fiscal já está permitindo que o governo adote ações para o desenvolvimento, que estava sendo contido''.
De acordo com outro parlamentar presente à reunião, o ministro contou que ele próprio é um poupador, que aplica em títulos do Tesouro. E teria dado um exemplo pessoal para mostrar como os juros altos são prejudiciais. ''Há mês em que o ganho é maior do que a parcela que aplico, por causa das altas taxas de juros. Não é possível conviver com juros desses, mas também não podemos reduzi-los bruscamente, porque poderíamos causar inflação e ainda prejuízos aos poupadores, que não têm nada com isso'', disse Dirceu.





