O governo pretende promover um debate nacional, ouvindo inclusive a oposição, sobre o desenvolvimento do País. A iniciativa faz parte da estratégia de criar fatos na tentativa de reverter o desânimo provocado pelas turbulências no mercado, especialmente a oscilação da taxa de câmbio. ‘‘O povo quer ver o que vai ser feito e o presidente vai voltar sua agenda para o debate sobre os mecanismos de retomada do crescimento’’, disse ontem o ministro das Comunicações e principal articulador político do governo, Pimenta da Veiga.
O governo pretende discutir uma fórmula de garantir a geração de emprego e melhoria da renda. ‘‘Nós vamos tratar do que é de interesse da sociedade’’, afirmou Pimenta da Veiga. ‘‘A discussão vai dizer que tipo de desenvolvimento nós queremos para o Brasil, onde, como se fazer e com que recursos’’, explicou o ministro. Ele citou como possibilidade o uso das verbas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e ainda falou da alternativa de pequenas alterações tarifárias, capazes de permitir a transferência de receitas para projetos de desenvolvimento. O ministro, no entanto, não entrou em detalhes. Mas adiantou que não é de interesse do governo promover o ‘‘desenvolvimento irresponsável ou ilusório’’.
A estréia do debate nacional deve acontecer ainda esta semana, se for seguida a pauta original discutida entre o ministro Pimenta da Veiga e o presidente Fernando Henrique Cardoso, no final de semana. ‘‘Ele quer correr o País todo’’, adiantou Pimenta da Veiga. A pretensão presidencial é de envolver desde os sindicatos, setor empresarial e representações da sociedade, até os partidos de esquerda e o próprio Congresso Nacional. ‘‘O Congresso terá o papel muito importante, de discutir e apoiar politicamente’’, afirmou Pimenta da Veiga.
Na opinião do governo, o último ‘‘tumor’’ temido eram os efeitos da desvalorização do real frente ao dólar. Para Pimenta da Veiga, essa fase já passou. ‘‘O Plano Real, com a alteração cambial, vai seguir normalmente’’, apostou. Nada indica, segundo ele, que haverá uma flutuação excessiva do câmbio, que venha a colocar os projetos do governo em risco. ‘‘Os movimentos (no câmbio) ocorridos até agora eram esperados’’, argumentou. Pimenta da Veiga disse ainda que o regime de câmbio flutuante também teve efeitos favoráveis, citando o setor exportador e a agricultura. ‘‘Temos que mostrar que há um lado positivo’’, sustentou.
Não há agenda fixa ou prazo determinado para o fim das discussões, embora o governo tenha pressa em provocar mudanças e reverter o clima de instabilidade que afeta o País internamente e no exterior. Todos os integrantes do governo poderão ter uma participação, mais ou menos ativa, no debate nacional. ‘‘Cada um será chamado de acordo com o assunto e o setor envolvido em determinada discussão’’, disse o ministro das Comunicações.

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