Governistas querem solução-já
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terça-feira, 17 de dezembro de 1996
Agência Estado 
BRASÍLIA - Os líderes governistas só vêem uma saída para salvar o cronograma da reeleição-já das novas dificuldades produzidas pelo envolvimento do secretário-geral da Presidência, Eduardo Jorge Caldas, no caso da lista dos deputados do PPB devedores do Banco do Brasil. Mais do que a apuração rápida das denúncias que também levantaram suspeitas sobre o ministro dos Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos, eles querem a degola dos responsáveis.
Esta estória não vai acabar aí; alguém vai ter que pagar pelo erro, se ele ocorreu, disse ontem o líder governista na Câmara, Benito Gama (PFL-BA). Tem que haver apuração rápida e demissão. O governo não pode sancionar um método inaceitável desses, completou o líder do PSDB, deputado José Aníbal (SP). A sindicância determinada pelo presidente do BB, Paulo César Ximenes, para apurar o vazamento, deverá ser entregue ao governo na sexta-feira.
O líder José Aníbal defende o presidente Fernando Henrique Cardoso - tenho absoluta convicção de que nada disso teve estímulo hierárquico -, mas reconhece que as denúncias são péssimas para o governo. O líder do PMDB, deputado Michel Temer (SP) é outro que prega uma resposta urgente do presidente para o vazamento. Não é sem razão. Votar a emenda da reeleição nesse clima não dá; tá muito bagunçado, protestou ontem o secretário-geral do PPB, deputado Benedito Domingos (DF), repetindo o que o próprio Temer ouvira de liderados.
Mas o presidente do PFL, deputado José Jorge (PE), está convencido de que essa série de denúncias e atropelos só vai acabar depois que o Congresso votar a reeleição. O remédio para isso é votar a emenda o mais rápido possível, sugeriu. Quanto mais demora, mais rolo aparece, justificou.
Deputados do PMDB ligados ao ministro dos Assuntos Políticos dizem que só agora entendem as palavras de Luiz Carlos Santos na semana passada. Em conversa com parlamentares, Santos insistiu que fora vítima de uma arapuca, mas que não desistiria enquanto não descobrisse o responsável. O problema do Luiz Carlos é que ele não tem apoio interno no Planalto, avaliou um de seus amigos na Câmara, certo de que o ministro é visto como um intruso pela assessoria mais próxima do presidente, em que se inclui o secretário-geral Eduardo Caldas.
O ministro das Comunicações, Sérgio Motta, acusou ontem os covardes eleitorais de serem os reponsáveis pelo vazamento da lista dos parlamentares do PPB devedores do Banco do Brasil e alimentado o noticiário sobre o assunto. São os covardes eleitorais que querem decidir a eleição presidencial no tapetão, afirmou Motta. Em seguida, o ministro atacou diretamente o prefeito de São Paulo, Paulo Maluf. Maluf é o chefe dos covardes eleitorais.
O prefeito de São Paulo ficou irritado com a declaração mas foi aconselhado a não reagir. Trata-se de uma manobra diversionista, disse-lhe o presidente do PPB, senador Esperidião Amin (SC). O ministro quer trazê-lo para uma briga que já é velha e, com isso, tirar do foco o verdadeiro problema do governo, que é explicar a origem dessa lista.


