Governistas querem mais uma CPI para atingir Requião
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quinta-feira, 15 de novembro de 2001
Maria Duarte<br>De Curitiba 
Em menos de três dias, a base aliada ao governo na Assembléia Legislativa partiu para a segunda ofensiva contra a oposição. O líder do governo, Durval Amaral (PFL), protocolou ontem requerimento pedindo a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a violência no trânsito no Estado. A CPI é uma forma de atingir o senador Roberto Requião (PMDB), e faz parte da estratégia de retaliação à oposição.
No final de outubro, o sobrinho do senador, João José de Arruda Júnior, envolveu-se em um acidente de trânsito em Curitiba, no qual duas jovens morreram. Requião foi prestar socorro ao estudante, de 25 anos. A Delegacia de Trânsito de Curitiba investiga a possibilidade de o senador ter usado sua influência para retirar o estudante do local indevidamente. Os adversários de Requião querem tirar dividendos políticos do episódio.
Na segunda-feira, os governistas pediram a instalação de uma CPI para apurar a extinção do Fundo de Previdência dos Servidores Estaduais, no governo Requião, em 1993. A iniciativa foi um contra-ataque às denúncias de caixa 2 na campanha do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), que estão sendo exploradas pelo PMDB.
De acordo com Amaral, a CPI vai se restringir aos acidentes com vítima fatal, especialmente na malha urbana da Capital. Na justificativa do requerimento, a base aliada afirma que a violência no trânsito ''ganhou proporções alarmantes, ceifando vidas e causando prejuízos materiais. Segundo dados do Departamento de Trânsito, as vítimas de acidentes no ano passado somaram 38.390 (fatais e não fatais)''.
As duas CPIs governistas terão que esperar na fila. Três comissões propostas pela oposição Pedágio, Jogos Mundiais da Natureza e Corrupção estão na frente.
O líder da oposição, Waldyr Pugliesi (PMDB), classificou a nova ofensiva governista de ''atitude pequena e menor''. ''Sabemos que nem o Requião nem ninguém pode passar ao largo de investigações, mas fica claro para nós que isso é pura retaliação por causa das denúncias de caixa 2 do Cassio'', reclamou Pugliesi. ''A cada ação correponde uma reação'', emendou.


