Governistas querem atrair derrotados
O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha (foto), disse ontem, em Brasília, que o PMDB governista começará a atuar, nesta semana, para reconquistar a parte do partido que foi derrotada na convenção do dia 8, que decidiu pelo apoio à reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele confirmou que ainda nesta semana alguns representantes do grupo político ao qual pertence - o PMDB aliado do presidente Fernando Henrique - vão ter um encontro com o ex-governador Orestes Quércia.
A idéia, segundo Padilha, é debater com o próprio Quércia o futuro dele no PMDB. Nós queremos ser coadjuvantes do Quércia, um nome muito importante no PMDB, disse. Uma das saídas, segundo Padilha, poderia ser a candidatura do ex-governador ao cargo de deputado federal. Se o Quércia analisasse a hipotese da Câmara dos Deputados, ele daria números absolutamente diferentes à nossa representação em São Paulo, disse Padilha.
Quanto ao ex-presidente Itamar Franco, que está brigado com o presidente Fernando Henrique e acusou os ministros - entre eles Padilha - de comprar os convencionais do PMDB, o sentimento entre os governistas é de convencê-lo a desistir de pular para a oposição. O presidente Itamar Franco merece nosso respeito e consideração, disse o ministro.
A mágoa de Eliseu Padilha com o presidente do PMDB, Paes de Andrade (CE), ainda não passou. O ministro disse que o próprio Paes proclamou para todos os cantos que o resultado da convenção deveria ser respeitado, sob pena de expulsão dos que não concordassem com ele. Como os governistas ganharam a convenção, ele acha que Paes de Andrade deveria aceitar o resultado e parar de pregar nova decisão, para junho. O que foi decidido, está decidido, disse o ministro.
Eliseu Padilha afirmou que nesta semana vai definir se sai do ministério, para concorrer à reeleição de deputado, ou se fica à frente da pasta, para atender a pedido do presidente Fernando Henrique Cardoso. Minha vontade é sair, porque gosto de eleição, mas sofro a pressão do outro lado, para ficar, disse Eliseu Padilha. Se não decidir logo, não aguentarei a pressão. Ele tem a promessa de Fernando Henrique de que continuará sendo o ministro dos Transportes, na hipótese da reeleição de Fernando Henrique. (A.E.)





