Curitiba - O ano legislativo começou polêmico. Ontem, enquanto o presidente da Assembléia Legislativa, Nelson Justus (PFL), declarava aberta a 16 legislatura, deputados já haviam protocolado na Casa seis pedidos de criação de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs). Pelo menos cinco CPIs foram protocoladas com as assinaturas dos parlamentares que pertencem à base de apoio ao governador do Estado, Roberto Requião (PMDB). Todos os temas das cinco CPIs da base governista (veja quadro) envolvem o comando anterior do Executivo, do ex-governador Jaime Lerner (PSB).
Uma das cinco CPIs é consequência da recente guerra protagonizada pelo governador e o prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), que ontem se encontraram na cerimônia de abertura das sessões legislativas, mas não se cumprimentaram. Na mesa de autoridades, Richa conversou apenas com o vice-governador do Estado, Orlando Pessuti (PMDB), sentado ao lado. Requião fez um discurso semelhante ao de sua posse, no dia 1º de janeiro, quando criticou a mídia e defendeu um governo de esquerda, mas não mencionou a briga com o prefeito.
A CPI serviria para apurar possíveis irregularidades no pagamento de R$ 10 milhões feito pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER), em 2002, à empresa DM Construtora de Obras. Segundo declarações do governador Requião, o dinheiro seria destinado à campanha eleitoral do então candidato ao governo do Estado e atual prefeito da Capital. Ainda segundo Requião, o pagamento teria sido articulado pelo irmão do prefeito tucano, José Richa Filho, à frente do DER naquele ano.
De acordo com a assessoria de imprensa do Palácio Iguaçu, a suposta irregularidade já havia sido levantada pelo próprio governador Requião logo que assumiu o Executivo, no início de 2003. Desde então, ainda segundo o Palácio Iguaçu, tramita uma ação sobre o assunto na 2 Vara da Fazenda Pública em Curitiba. O assunto só voltou à tona porque, na última terça-feira, antes da reunião semanal do Executivo, Requião recebeu uma intimação referente à ação que corre contra ele a pedido da publicitária Cila Schulman. Requião acusou a publicitária, à frente da campanha política do Beto em 2002, de ter recebido o dinheiro do DER. A publicitária quer processá-lo por danos morais.
Em função da troca de farpas entre o governador e o prefeito, constante desde terça-feira, não faltou discussão ontem no Legislativo. O líder da oposição, Valdir Rossoni (PSDB), ironizou a criação das CPIs. ''Com certeza nenhuma das CPIs vai investigar o atual governo, o superfaturamento nas obras de saneamento do Litoral e nas compras de televisores'', disse o tucano. Rossoni disse que é favorável à investigação sobre o caso do DER.
Já o deputado estadual Augustinho Zucchi (PDT) disse que a diretoria da Casa precisa ''analisar bem'' sobre a implantação das CPIs. ''Não pode virar um festival de CPIs'', reclamou. Conforme explicou Zucchi, o regimento interno da Casa permite que apenas cinco CPIs sejam tocadas ao mesmo tempo. Zucchi disse que se as cinco CPIs da base governista forem instaladas, por exemplo, ''não há espaço para a criação de mais nada''. ''E vai que no decorrer dos dias surge a necessidade de se implantar uma outra CPI? Podem aparecer demandas'', disse o pedetista.
O peemedebista Luiz Cláudio Romanelli, que deverá ficar como líder do governo na Casa, em substituição a Dobrandino da Silva (PMDB), garantiu que, ''se houver uma CPI mais importante, ela será instalada''. Cada CPI teria que ser formada por sete membros e teria um prazo inicial de duração de 120 dias. Romanelli ainda não é, oficialmente, o líder do governo, mas ontem confirmou que recebeu o convite do governador para ocupar o posto. O anúncio oficial ocorre só depois do recesso parlamentar, em função do feriado de Carnaval. A bancada do PMDB, ontem, também já definiu que Waldyr Pugliesi (PMDB) será o novo líder da legenda. Artagão Júnior (PMDB), que disputava a vaga com Pugliesi, ficou como vice-líder do PMDB.

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