Governistas procuram saída para resistência
Brasília - Na retomada das negociações em torno da reforma da Previdência, o presidente Lula enfrentará resistências em sua própria casa. Os líderes governistas já estão procurando saídas para atender, por exemplo, ao pleito dos juízes que resistem ao subteto estabelecido na reforma. Os desembargadores não aceitam ganhar 75% do salário pago aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e querem 90,25%.
A pressão dos juízes junto aos parlamentares será reforçada e coincide com a ameaça de greve que eles estão programando a partir de 5 de agosto, data da votação da reforma. ''Há possibilidade de mudar o subteto dos Judiciário'', admitiu o deputado Paulo Bernardo (PT-PR), que integra a ala governista do PT.
Ainda no PT, o chamado grupo dos 30, formado por deputados mais à esquerda do partido, quer mais alterações na Previdência e promete fazer barulho. Ao mesmo tempo, deputados do grupo, os vinculados à Democracia Socialista (DS), estariam sendo pressionados pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, que está descontente com a falta de recursos para tocar os projetos, principalmente frente ao aumento das invasões dos sem-terra, motivo também de desgastes para sua imagem.
As diversas alas do PT, por sua vez, se agrupam a outros partidos como PTB e PL em defesa de mudanças nos dispositivos que tratam das pensões na reforma da Previdência. Na proposta original, o governo previa um corte mínimo de 30% no valor das novas pensões a serem concedidas pelo setor público. No relatório aprovado na Comissão Especial, esse corte mínimo foi mantido mas apenas para as pensões que excederem a R$ 1.058,00. O PTB quer que o corte só incida a partir de R$ 2.400, que será o novo teto do INSS. ''Do jeito que ficou não passa no plenário'', afirmou ontem o líder do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ).





