Governistas pressionam e derrubam CPI
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quinta-feira, 15 de maio de 1997
Agência Estado de Brasília 
Arquivo FolhaManobraAécio Neves: pressão faz dez parlamentares desistirem de CPIO governo minou a tentativa da oposição de criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o escândalo da compra de votos a favor da reeleição na Câmara dos Deputados. Dezesseis deputados tucanos e pefelistas retiraram ontem seu apoio à proposta do bloco PT-PDT-PC do B, que ontem havia fechado o dia com 171 assinaturas, número suficiente para criar uma CPI. A oposição afirma que não vai desistir e promete reapresentar o projeto na terça-feira.
Na noite de quarta-feira, os partidos de esquerda entregaram à Mesa da Câmara o projeto de criação da CPI apoiado por 171 assinaturas (havia 199 assinaturas, mas 25 estavam repetidas e três não conferiam). Na mesma noite começou o trabalho dos líderes governistas para a retirada das assinaturas, a fim de inviabilizar o projeto. Ontem à tarde, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), devolveu o projeto à oposição, depois de 16 deputados terem retirado seus nomes.
O líder do PSDB, deputado Aécio Neves (MG), trabalhou explicitamente pela retirada das assinaturas dos tucanos: conseguiu a desistência de dez liderados, mas outros sete mantiveram o apoio à CPI. O líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE), garantiu a retirada de quatro dos 13 pefelistas que assinaram o projeto. Dois deputados do PPB também recuaram. A CPI está sepultada, sentenciou Inocêncio ontem à tarde, alegando que instalar a comissão neste momento é um desserviço à Câmara e ao País.
É uma exigência moral que haja CPI, até mesmo para que os envolvidos possam se defender, rebateu o deputado Tuga Angerami (PSDB-SP), um dos tucanos que não acataram o pedido do líder Aécio Neves. O líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF), participou da operação para a desmontagem da CPI. Assim que o PT foi avisado pela Secretaria-Geral da Mesa, anunciou possuir outras 40 assinaturas de reserva, mas já era tarde e a sessão plenária de ontemhavia sido derrubada, sem chance de a oposição reapresentar o projeto. Foi uma manobra, criticou o líder do PT, José Machado (SP), que ligou para o presidente Temer e protestou. Machado afirmou que na terça-feira o projeto será reapresentado.
Os 16 deputados que retiraram suas assinaturas ao projeto de criação da CPI, impedindo seu andamento, são os tucanos Osmânio Pereira (MG), Nárcio Rodrigues (MG), Elias Murad (MG), Rommel Feijó (CE), Pimentel Gomes (CE), Raimundo Gomes de Matos (CE), Simão Sessim (RJ), Candinho Mattos (RJ), Ezídio Pinheiro (RS), Fernando Torres (AL); os pefelistas Carlos Melles (MG), Alexandre Ceranto (PR), José Egydio (RJ) e Aldir Cabral (RJ); os do PPB Wagner Nascimento (PPB-MG) e Eurico Miranda (PPB-RJ).


