Arquivo FolhaAo ataqueGeddel Lima (esq.): escalado para rebater discursos de Itamar Franco e do senador Roberto RequiãoA cúpula governista do PMDB promete muito barulho na convenção do domingo na caça ao voto dos convencionais em favor da reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. ‘‘Vai ter batucada, jingles, faixas, bonés, camisetas e discursos inflamados em favor da reeleição’’, antecipa o primeiro vice-presidente do partido, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Diferente do que ocorreu na última convenção nacional, há um ano, quando nenhum governista subiu à tribuna para defender a aprovação rápida da emenda da reeleição para o presidente Fernando Henrique Cardoso, os aliados do Planalto preparam-se agora para não deixar sem resposta nenhum discurso dos contrários ao apoio a FHC.
‘‘Queremos fazer a festa da democracia e da civilidade, com absoluto respeito aos convencionais, mas nenhuma afronta ficará sem resposta’’, adiantou Henrique Eduardo. Reunidos na casa do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), na noite de quarta-feira, os cardeais que comandam o grupo governista fizeram uma contabilidade otimista dos votos mas, para evitar surpresas de última hora, decidiram montar um plantão no plenário da Câmara a partir das 9h de domingo.
‘‘Vamos acompanhar os discursos favoráveis à candidatura própria e rebatê-los um a um’’, completou o líder do partido, deputado Geddel Vieira Lima (BA). Nem o discurso do presidenciável Itamar Franco, que está sendo aguardado como o último trunfo dos rebeldes para virar votos em prol da candidatura própria na convenção, ficará sem resposta. Para rebater o ex-presidente, estão escalados tanto o líder Geddel quanto seu colega de liderança no Senado, Jader Barbalho (PA), que os governistas querem eleger como presidente do partido nesta convenção.
‘‘Vou perguntar onde estava o Senhor Itamar Franco quando nós percorríamos o Brasil com o Dr. Ulysses (Guimarães, candidato a presidente)’, antecipa Geddel. ‘‘O Itamar estava na aventura colorida, como vice do presidente Fernando Collor’’, salienta Henrique Eduardo. Os governistas vão lembrar também as eleições de 1990, quando o ex-governador de São Paulo era o candidato do partido. ‘‘E onde estava o Requião’’, perguntará Geddel, para responder: ‘‘Estava apoiando o PT de Luiz Inácio Lula da Silva e inventando o disque Quércia para receber denúncias e atropelar a candidatura própria do partido.’
A ala aliada ao Planalto planeja lotar o Congresso, onde será realizada a convenção, com 6 mil militantes. Os liderados pelo presidente do partido, deputado Paes de Andrade (CE) não ficam atrás. O deputado Albérico Filho (PMDB-MA) anuncia que seu grupo trará a Brasília algo em torno de 5 mil peemedebistas dispostos a ofuscar a mobilização governista.
Os ônibus da caravana da candidatura própria virão especialmente de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, dos presidenciáveis Roberto Requião (PR) e Itamar Franco (MG). Mas apesar do grande número de pessoas que são aguardadas, na guerra das torcidas em plenário os militantes governistas serão facilmente identificados pelo slogan da camiseta: ‘‘Sou PMDB; vou de FHC.’ Nada que, na avaliação dos rebeldes, possa ofuscar a movimentação dos presidenciáveis do partido no plenário da Câmara.
‘‘Estamos planejando uma entrada triunfal dos presidenciáveis no plenário’’, conta Albérico Filho. Sarney, Itamar e Requião deverão chegar ao gabinete de Paes de Andrade por volta das 10 horas de domingo e só uma hora mais tarde entrarão no plenário. ‘‘Os militantes vão formar um cordão da presidência até o plenário, onde os três entrarão sob aplausos ao lado de Paes de Andrade’’, planeja o deputado.

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