Governistas impedem votação do nepotismo
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terça-feira, 28 de março de 2006
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Uma manobra da bancada que apóia o governo do Estado na Assembléia Legislativa obstruiu ontem a votação da proposta de emenda constitucional (PEC) que proíbe o nepotismo nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do Paraná. Todos os deputados do PMDB, PTB, PP, PL, cinco do PSDB, um do PFL e um do PT, que somam 26 parlamentares, não compareceram à votação e com isso o número de deputados não foi suficiente para a aprovação da PEC. Seria necessário que ao menos 33 deputados votassem favoráveis à proposta para a aprovação no primeiro turno. A PEC volta à pauta hoje. A tarde foi tumultuada no plenário, com as galerias lotadas de manifestantes.
Como não havia ninguém da bancada do governo para se denfender dos ataques, a oposição aproveitou a ausência da base governista e usou, durante toda a tarde, a tribuna da Assembléia para criticar o governo e a atitude dos parlamentares ausentes. ''A bancada não tem coragem para dizer que 'acho o projeto inadequado' e se esconde nos seus gabinetes'', discursou o deputado André Vargas (PT) no início dos trabalhos. Em seguida uma manifestante que estava na galeria gritou com o deputado Neivo Beraldin (PDT) durante seu discurso, tumultuando a sessão. O autor da PEC, deputado Tadeu Veneri (PT), pediu calma aos manifestantes para evitar que a sessão fosse suspensa.
''Que vergonha de ser deputado hoje. Quem é o governador que usa seu poder e esvazia a sessão? Não podemos sofrer pressão de quem quer que seja. A Assembléia é um poder independente. Esses deputados estão fazendo como avestruz e enfiando a cabeça no chão. Não posso respeitar os deputados que fugiram do debate, que abaixaram a cabeça para a pressão do governo. São convardes'', esbravejou o deputado Barbosa Neto (PDT) na tribuna. O deputado Luiz Carlos Martins (PDT) continuou logo após Barbosa Neto. ''O governador Roberto Requião (PMDB) fez deboche do povo hoje como a dançarina do Congresso (referindo-se à deputada federal Angela Guadagnin PT-SP).''
Os discursos inflamados foram acompanhados aos gritos pelos manifestantes das galerias. ''Queremos votação'', gritavam. Estavam presentes nas galerias da Assembléia bancários, professores (que já haviam feito uma manifestação pela manhã em frente ao Palácio Iguaçu), despachantes (que estavam lá por causa de um projeto de interesse da categoria), entre outros.
Entre os parlamentares que não compareceram nem na sessão e nem na votação estava o deputado José Maria Ferreira (PMDB), relator da Comissão Especial que analisou a PEC. Ferreira justificou mais tarde que foi orientação da bancada e que não era possível ir contra. O relator da Comissão já havia dito que iria votar favorável, assim como outros deputados da bancada. Os outros membros da Comissão, deputados Durval Amaral (PFL), Luiz Fernandes Litro (PSDB) e Luiz Carlos Martins (PDT) compareceram. Para evitar que a PEC fosse derrubada por falta de votos suficientes (33 no mínimo), Amaral explicou, na tribuna, que os deputados presentes iriam sair do plenário durante a votação para que a sessão fosse durrubada e a proposta pudesse voltar hoje.
O presidente da Casa, deputado Hermas Brandão (PSDB), fez chamada nominal antes da votação e 28 deputados estavam presentes (número mínimo suficiente para iniciar a votação). Por isso, na hora da votação dez deputados deixaram o plenário e a sessão foi encerrada. Com isso nem a PEC do nepotismo e nem os outros 26 projetos que estavam na pauta do dia foram votados. ''A PEC volta amanhã (hoje) para a pauta'', garantiu Hermas. ''Vai ser votada'', assegurou. Para a aprovação de uma PEC é preciso pelo menos 33 votos favoráveis em dois turnos. A proposta é promulgada pela própria Assembléia. Isto é, não precisa da sanção do governador.


