Governistas 'ignoram' documento
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terça-feira, 18 de maio de 2004
Agência Estado 
Brasília - Evitar a polêmica e, de preferência, ignorar. Essa foi a resposta de ministros, assessores palacianos e parlamentares fiéis ao governo ao documento do PL sobre a situação social e econômica do País, comparada à Grande Depressão dos anos 30. Enquanto o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto (SP), entregava o texto com críticas pesadas à política econômica ao chefe de gabinete do presidente, Gilberto Carvalho, no principal gabinete do Palácio do Planalto, Lula, o vice-presidente José Alencar, do PL, e ministros da Casa participavam de uma descontraída reunião. O manifesto do PL sequer foi mencionado no encontro.
''O PL é uma das bancadas mais fiéis do Congresso nas votações de interesse do governo'', disse ontem o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo. ''O documento expressa muito mais uma tese e uma bandeira do partido do que uma manifestação política propriamente dita.''
Pelo menos dois outros assessores palacianos confirmaram que não há ''qualquer traço de preocupação'' com o discurso de setores do PL contra a política econômica do ministro Antônio Palocci. ''Até porque os indicadores da economia não autorizam a crítica. O documento está descolado da realidade'', disse outro auxiliar do presidente.
Os auxiliares de Lula descartam qualquer possibilidade de ''conspiração ou má-fé'' do vice José Alencar. Algo de estranho teria, argumentam, se o documento não tivesse sido tornado público e transparente. ''Essa posição do PL já é conhecida há muito tempo, pensei até que o documento de hoje (ontem) era velho, de 20 dias atrás'', disse o deputado Paulo Bernardo (PT-PR), logo após ser eleito presidente da Comissão Mista de Orçamento do Congresso com veemente discurso em defesa da política econômica.


