Com indicação do ministro da Justiça, Renan Calheiros (PMDB), o cardiologista José Wanderley Netto (PMDB), 49, deve assumir esta semana a condição de candidato da base de Fernando Henrique Cardoso ao governo alagoano. O nome do cardiologista foi aprovado em reunião sábado entre o ministro, o senador Teotônio Vilela Filho (PSDB-AL), e o senador e candidato à reeleição Guilherme Palmeira (PFL).
O consenso dos líderes governistas só foi fechado após uma visita feita na noite de sábado à casa do governador Manoel Gomes de Barros (PTB), que renunciou à candidatura à reeleição na última quinta-feira, confirmando a crise na campanha. ‘‘Meu nome está sendo submetido a consultas aos prefeitos. Preciso também que seja viabilizada a estrutura de campanha, que o governador não teve’’, afirmou o médico.
O fato de Netto nunca ter disputado uma eleição é prova de que os
governistas optaram por uma saída ‘‘técnica’’ - e não política - para substituir o governador. O deputado federal José Thomaz Nonô (PSDB), tido por Vilela como único candidato com chances de derrotar o oposicionista Ronaldo Lessa (PSB), recusou-se a entrar no páreo por acreditar que o tempo de campanha é insuficiente para se obter êxito na empreitada.
Netto foi escolhido pelos líderes partidários por ser um profissional conceituado, nacionalmente respeitado por ter presidido a Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardíaca, e por ter apenas um ponto vulnerável: foi secretário da Saúde no governo de Divaldo Suruagy (PMDB). Há uma semana, o cardiologista assumiu a coordenação do Sistema Nacional de Transplantes, órgão do Ministério da Saúde ainda não foi oficializado, o que, segundo ele, não o torna inelegível.

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