Governistas dominam a CPI da Petrobras
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terça-feira, 14 de julho de 2009
Márcio Falcão<br>Folhapress 
Brasília - A ampla maioria governista na CPI da Petrobras confirmou ontem a indicação do senador João Pedro (PT-AM) para presidir as investigações contra a estatal. Ele foi eleito por 8 a 3. João Pedro indicou o líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR), para a relatoria da comissão - cargo mais cobiçado por definir os rumos da investigação.
A escolha do petista e do peemedebista segue a recomendação do Palácio do Planalto para que o comando da comissão seja entregue a fiéis aliados - que podem evitar eventuais constrangimentos futuros ao governo e aos diretores da empresa. O petista marcou para 6 de agosto os inícios do trabalho da CPI. Ele elogiou a Petrobras e pediu responsabilidade para a oposição. ''A responsabilidade não pode ser só do governo. Tem que ser dos 11 senadores, de tratar desta empresa. Sei da responsabilidade e por isso todos os parlamentares estão tratando deste assunto como estratégia para o Brasil. Essa empresa está presente em 28 países. Tenho a responsabilidade, como todos os outros senadores, de focarmos nas investigações, trabalharmos com um debate profundo com a transparência e verdade'', afirmou.
João Pedro chegou a disputar o cargo com o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) que foi indicado pela oposição como uma reclamação à orientação do governo para os governistas ocuparem presidência e relatoria. João Pedro agradeceu a eleição e destacou sua ligação com o setor. ''Quero agradecer apoio do PMDB, dos parlamentares que compõem esta CPI e dizer que estou indicado para fazer parte deste debate.''
Na reunião, o presidente interino, senador Paulo Duque (PMDB-RJ), protagonizou um mal estar com o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), que lançou o nome da oposição na disputa. Duque quis iniciar a votação sem que os senadores pudessem defender seus escolhidos. Guerra reclamou aos berros e exigiu abertura da discussão dos nomes.
A instalação da CPI foi marcada pelos discursos da oposição em defesa da investigação e dos governistas na tentativa de assegurar que a comissão tem caráter político para tentar antecipar os debates da eleição de 2010.
O líder do PT, Aloizio Mercadante (SP), pediu prudência na CPI e disse que não vai deixar que a comissão se transforme em disputa eleitoral antecipada.
O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), disse que após a instalação da comissão, a oposição deve oficializar a devolução da CPI das ONGs e arquivar a CPI do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit). Os governistas tinham condicionado a criação da CPI da Petrobras a esses dois movimentos da oposição, mas trabalhavam para esvaziar as reuniões da comissão para adiar o início das investigações da Petrobras.


