A cúpula governista do PMDB prepara-se para abrir o palanque do partido nos Estados ao presidente Fernando Henrique Cardoso, independente de conseguir ou não aprovar a coligação com o PSDB na Convenção Nacional do dia 28. Sem acreditar que o ex-presidente e pré-candidato a governador de Minas Gerais Itamar Franco e o senador José Sarney (PMDB-AP) assumam uma candidatura contra o Palácio do Planalto, os governistas insistem em realizar a própria convenção, e ignoram a convocação do presidente rebelde do partido, deputado Paes de Andrade (CE).
‘‘Com todo o respeito que tenho pelo senador Sarney, a candidatura dele a presidente não passa de uma obra de ficção política’’, avaliou ontem o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA). Os aliados do Planalto argumentam que Sarney está fazendo uma movimentação extemporânea, depois de ter se recusado a assumir a candidatura quando havia tempo para engajar todo o partido - militantes, parlamentares, governadores e ministros. ‘‘Agora, o PMDB da Bahia já está fechado com Fernando Henrique’’, disse Lima, ao relatar que passou o fim de semana no interior, em campanha pela reeleição.
Os líderes da ala governista estão seguros de que Sarney não enfrentará uma eleição com o partido dividido. ‘‘Ele não é aventureiro, nem neófito em política’’, diz Lima. De fato, não é só a Bahia que se alinhou com Fernando Henrique e está decidida a defender a reeleição no programa eleitoral gratuito de rádio e televisão. Os governistas garantem que o comportamento do partido será o mesmo no Pará do líder no Senado, Jáder Barbalho, e nos nove Estados governados pelo PMDB, como o Rio Grande do Norte do governador Garibaldi Alves. ‘‘Eu já assumi compromisso com o presidente e não tenho mais como voltar atrás’’, resume Garibaldi.
Apesar do vaivém de Itamar, que ora se diz candidato a governador de Minas Gerais, ora admite que pode disputar o Planalto, os governistas acreditam que tanto ele quanto Sarney vão ‘‘esticar a corda’’ até o último instante, mas não disputarão com Fernando Henrique. ‘‘Eu não vou me emprestar para cacifar ninguém a negociar politicamente suas posições’’, diz Lima, sem citar nomes.
Candidato ou não, Sarney não esconde que quer o PSDB do Maranhão apoiando a recandidatura da filha, a governadora Roseana. Os tucanos do Maranhão estão aliados ao PPB do senador Epitácio Cafeteira, que quer disputar o governo contra Roseana.
Líder da ala rebelde, Andrade não desistiu de lançar Itamar, ainda insiste na candidatura Sarney e garante que, na pior hipótese, o senador e candidato a governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB-PR), vai apresentar-se como candidato na convenção. Andrade promete ir à Justiça para evitar que duas convenções se realizem no mesmo domingo.

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