Arquivo FolhaPuxando o tapetePaes de Andrade: governistas não aceitam que o deputado continue dirigindo o partido até a convençãoO grupo governista do PMDB quer afastar o deputado Paes de Andrade (CE) da presidência do partido em dezembro, na convenção nacional em que pretende aprovar o apoio à reeleição de Fernando Henrique Cardoso. Paes está na presidência porque o seu mandato foi prorrogado por um ano, por decisão da Executiva Nacional do partido. Na reunião do Conselho Político, marcada para o dia 12 deste mês, a ala governista pretende alterar a decisão da Executiva.
O Conselho, formado por governadores, presidentes regionais, ex-presidentes e líderes do partido no Congresso, deverá articular a eleição de uma nova direção para o partido na convenção de dezembro. Os governistas estão certos de que a convenção aprovará o apoio à reeleição de FHC. Assim, entendem que Paes deve ser substituído por alguém favorável a essa tese. Paes defende que o PMDB tenha candidato próprio a presidente. FHC exige que o PMDB decida em curto prazo se apóia ou não a sua reeleição. Se o partido optar pela candidatura própria, deverá entregar os ministérios que ocupa.
A cúpula do grupo governista teve reunião de articulação ontem, na residência do presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP). Participaram os ministros Eliseu Padilha (Transportes), Iris Rezende (Justiça) e Fernando Catão (Políticas Regionais) e os líderes na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), e no Senado, Jader Barbalho (PA).
O senador Roberto Requião (PMDB-PR), pré-candidato a presidente da República, disse ontem que a idéia de destituir Paes da presidente do partido é ‘‘um sonho maluco’’. ‘‘Deve ser apresentada no programa do Gugu Liberato.’ Requião disse que o PMDB terá candidato próprio a presidente e afirmou que o Conselho não pode convocar a convenção para dezembro. ‘‘A convenção já está convocada para janeiro. E o Conselho não decide, aconselha.’
‘‘É uma provocação de um grupo adesista, minoritário e dissidente da vontade majoritária das bases do partido. Está situada entre o delírio e a violência. Parece mais uma fúria inquisitória’’, disse Paes. Paes afirmou que a ala governista ‘‘quer entregar ao presidente da República um PMDB dividido e submisso’’. Mas assegurou que os senadores Requião e José Sarney (AP) e o ex-presidente Itamar Franco não comparecerão à reunião do Conselho: ‘‘Eles não devem convalidar a violência’’.
A ala governista afirma que tem o apoio de pelo menos 40 dos 60 membros do Conselho. Os oito governadores do partido estariam a favor da reeleição de FHC. A articulação dos governadores e dos senadores garantiria a vitória na convenção.

mockup