Os governistas e independentes do PMDB querem anunciar, até quarta-feira, a pré-candidatura do presidente nacional do partido, deputado Michel Temer (SP), contra o governador de Minas Gerais, Itamar Franco, nas prévias partidárias para escolher o candidato ao Palácio do Planalto. Temer articula um movimento nacional em torno de seu nome, estratégia que inclui a desistência do senador Pedro Simon (PMDB-RS) e o apoio de regionais hostis como o PMDB paulista, que estimula a candidatura Itamar, mas prometeu fechar unido com o vencedor das prévias, seja quem for.

Simon está sendo pressionado a esquecer as prévias para disputar o governo gaúcho, até porque se recusa a encarnar o candidato anti-Itamar. ''Já que ele não quer bater de frente com o outro, tem que abrir para o Temer, e já'', cobra um dirigente do PMDB.

Além de escalar o presidente do partido para enfrentar o governador de Minas, o partido trabalha em outra frente: o esvaziamento da candidatura do governador mineiro. ''Minha proposta é a de criar uma dissidência maior que o apoio do candidato'', resume o governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos (PMDB).

Jarbas articula com governadores e parlamentares de Norte a Sul uma resistência nacional, que seja ampla a ponto de desestimular o governador a disputar a pré-candidatura em 20 de janeiro. ''Vamos deixar claro que há uma rejeição nacional a Itamar porque ele é um candidato profundamente atrasado, que não tem proposta e realiza um governo acanhado em Minas'', completou.

Os aliados de Itamar não querem ver o governador comandando o partido na corrida sucessória. ''Nosso campo de atuação não é o da oposição radical ao governo e o Itamar quer conduzir o PMDB e o País para o Lula'', disse o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), ao lembrar que o governador mineiro defendeu a candidatura única das oposições, com todos fechando em torno do PT de Luiz Inácio Lula da Silva.

mockup