Arquivo FolhaContra a paredePaes: tese de candidatura própria reforça articulação dos governistas para destituí-lo do comando do partidoA cúpula governista do PMDB assegura ter conseguido o apoio de mais da metade do diretório nacional e vai reunir os delegados na manhã do dia 18 para tentar destituir o presidente rebelde do partido, deputado Paes de Andrade (CE). Mais do que se ver livres de Andrade, os governistas querem trocá-lo pelo líder do PMDB no Senado, Jáder Barbalho (PA), e, com isto, garantir uma convenção nacional mais tranquila, no dia 28, para aprovar o apoio à reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso.
Andrade, que ainda insiste na candidatura própria do partido ao Palácio do Planalto e joga tudo no lançamento do senador José Sarney (PMDB-AP), protestou contra o ‘‘golpe dos adesistas’’. Ele afirma estar garantido na presidência até o fim de setembro por uma liminar da Justiça e que presidirá a Convenção Nacional do dia 28. Argumenta, ainda, que a convocação do diretório é ilegal porque a convenção de março adiou o julgamento da prorrogação do mandato dele na presidência para a próxima convenção.
A tranquilidade perseguida pelos aliados do Palácio do Planalto começa pelos termos da convocação dos convencionais. Os governistas querem que os delegados sejam chamados para ‘‘homologar’’ o resultado da Convenção de 8 de março, que decidiu não lançar candidato próprio. Consideram que, assim, fica mais fácil evitar críticas ao governo e ataques ao candidato Fernando Henrique na hora de aprovar o apoio à reeleição.
Andrade acusou os governistas de constranger os parlamentares a apoiar a reunião do diretório para cassar o mandato dele. Disse que deputados foram chamados ao gabinete do ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, e se viram obrigados a assinar a convocação. Padilha negou ter forçado alguém a apoiar o grupo, e atribuiu às acusações a choro do perdedor que sabe da derrota pela maioria do diretório.
‘‘Quem mais trabalhou na coleta de assinaturas foram os líderes e o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP)’, argumentou o ministro. O deputado Pinheiro Landim (PMDB-CE), que Andrade alega ter emprestado o nome porque fora ‘‘enganado’’, assinou a convocação a pedido do líder na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA). ‘‘Não podia ser diferente: Landim é meu vice-líder e está conosco nessa briga’’, contou Lima.
O líder afirma não ter dúvida da maioria governista no diretório, mas diz que não teme disputas. ‘‘Do jeito que quiserem, a gente dança, e ganha.’ Ele reconhece a ‘‘grande liderança’’ de Sarney, mas aposta que o senador não sairá candidato. ‘‘Uma candidatura não se improvisa, e Sarney não é um aventureiro’’, opinou Lima. (AE)

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