Governistas do PMDB convocam conselho e racham o partido
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de outubro de 1997
Agência Estado Brasília 
Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)DescontentesRequião e Paes de Andrade, presidente do PMDB, contrários à reunião: Sarney também não iráOs governistas do PMDB que defendem a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso marcaram data para enfrentar a ala a favor da candidatura própria ao Palácio do Planalto, comandada pelo presidente do partido, deputado Paes de Andrade (CE). O conselho político vai reunir no dia 12, em Brasília, os três ministros, os oito governadores, os líderes e os presidentes de diretórios regionais do partido, para um sim coletivo à reeleição.
Não presidirei esta reunião convocada à revelia do presidente do partido, reagiu Paes, antecipando o boicote de seu grupo. Falei com o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) em Nova York, e ele também não irá, completou. Será uma reunião do grupo adesista e o conselho nem sempre aconselha bem, protestou o senador Roberto Requião (PR), um dos presidenciáveis do PMDB.
Paes tentou evitar o confronto e a derrota previsível no conselho, pedindo aos governistas a escolha de qualquer data, em janeiro, para a convocação conjunta do conselho e da convenção nacional que dará a última palavra sobre a candidatura própria do partido a presidente da República. Mas os governistas não aceitaram adiar uma manifestação do partido para 1998, ainda que só pelo conselho.
A ala governista, liderada pelo presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e pelos líderes do partido na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), e no Senado, Jáder Barbalho (PA), quer exibir sua força internamente e dar uma demonstração de solidariedade e prestígio ao Planalto. Tudo para deixar à vontade os peemedebistas que ocupam cargos federais, especialmente os ministros dos Transportes, Eliseu Padilha, e da Justiça, Iris Rezende, e o secretário de Políticas Regionais, Fernando Catão.
Ninguém quer passar por cima do presidente do partido; queremos apenas que a voz da maioria prevaleça e seja respeitada, pondera Geddel. Não podemos entrar no ano eleitoral participando de um governo que não definimos se terá ou não nosso apoio para se reeleger, completa o líder, certo de que o boicote dos rebeldes não ameaça a maioria folgada de votos pela reeleição no conselho.
Para garantir a vitória, os governistas definiram não só a data da reunião do conselho como a estratégia para conter a rebeldia de Paes. O primeiro item da pauta dos conselheiros será a conveniência de manter ou não a prorrogação do mandato da Executiva Nacional do partido, que deu uma sobrevida a Paes na presidência até junho de 1998.
Os governadores têm insistido na troca de presidente sob o argumento de que o partido não tem um interlocutor oficial para negociar com o governo. Se Paes criar muitos problemas até lá, os governistas ameaçam apressar a destituição dele do posto de presidente. Isto poderá ser feito na convenção nacional que o próprio Paes está marcando para 25 de janeiro. A ala aliada ao Planalto aceita a convenção em 1998, desde que o conselho se reuna já.


