A ala governista do PMDB, que defende o apoio à reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso, tem pronta a estratégia para livrar o Palácio do Planalto do presidente rebelde do partido, deputado Paes de Andrade (CE). Reunidos na noite de anteontem, na casa do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), os peemedebistas decidiram convocar a Executiva Nacional no dia 29 para incluir a eleição do novo presidente do PMDB na pauta da Convenção Nacional que o próprio Paes marcou para 8 de março. ‘‘Queremos nos livrar de Paes no voto, e não no golpe’’, resumiu o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA).
Participaram do encontro os três ministros peemedebistas, os líderes partidários na Câmara e no Senado e os nove representantes que o grupo tem na Executiva Nacional. A maioria governista - de nove contra oito na Executiva - é apertada, mas suficiente para incluir a renovação de todo o diretório nacional na pauta da convenção, hoje restrita à candidatura própria do PMDB ao Palácio do Planalto.
A convocação da Executiva para ‘‘fazer um aditamento’’ à pauta da Convenção foi a saída jurídica que os governistas encontraram para apressar a troca do comando partidário. Se a iniciativa for derrotada juridicamente, o grupo está disposto a boicotar a Convenção de março e convocar outra, logo em seguida. Mas a avaliação geral foi a de que este risco é pequeno.
‘‘Paes criou um fato político com a convenção e nós estamos respondendo com um ato político’’, argumentou o secretário de Desenvolvimento Regional, Fernando Catão. Os governistas tiveram o cuidado de fazer um levantamento na Justiça Eleitoral e concluíram que, desde 1988, o Judiciário não intervém em decisões internas dos partidos políticos.
Para acertar a estratégia de vitória na convenção, quando pretende eleger o líder no Senado, Jáder Barbalho (PA), presidente do PMDB, o grupo marcou nova conversa para ontem à noite, desta vez com os governadores do partido. Em Brasília, para negociar compensações à Lei Kandir, que gerou prejuízos financeiros aos Estados por conta da isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) a produtos semi-elaborados, governadores do PMDB, como o gaúcho Antônio Britto e o paraibano José Maranhão, não vêem a hora de trocar o comando partidário.

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