Governistas arquivam CPIs
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segunda-feira, 02 de abril de 2007
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Os deputados estaduais não deverão instalar nenhuma das seis Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) sugeridas na Assembléia Legislativa no início do ano. Nem mesmo a CPI de autoria do deputado Fábio Camargo (PTB), para apurar supostas irregularidades no repasse de recursos públicos a Organizações Não-Governamentais (ONGs). O requerimento que solicitava a criação da CPI das ONGs foi o primeiro a ser entregue ao presidente da Casa, deputado Nelson Justus (DEM). Na ocasião, governistas e oposição concordaram em investigar o tema. Os demais pedidos de CPIs foram aprovados em função das assinaturas da maioria governista, que pretendia investigar questões relativas à gestão anterior do Executivo, do então governador Jaime Lerner.
Ontem, o líder do Governo, deputado Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), admitiu que os parlamentares da base de apoio estavam retirando as assinaturas dos requerimentos que solicitavam a criação das CPIs. Para que seja instalada, uma CPI precisa ter pelo menos o apoio de 18 deputados. Segundo Romanelli, os temas das CPIs podem ser tratados através das comissões permanentes já existentes na Casa.
Coincidentemente, Justus revelou ontem a existência de um projeto de resolução que ele pode colocar em discussão hoje. Pela proposta, as comissões da Casa passariam a ter ''mais poder'', conforme explicou Justus. ''As comissões permanentes vão poder convocar pessoas e apurar as coisas sem aquelas habituais grosserias. A história já comprovou que CPI não dá resultado.''
Romanelli afirmou que os deputados estariam voltando atrás porque o foco da CPI de Camargo estaria ''muito amplo''. O peemedebista desconversou ao ser questionado sobre o fato de já ter defendido a instalação da CPI. O líder do Governo também admitiu que as outras cinco CPIs só foram propostas porque ''a oposição prometia uma enxurrada de CPIs''. Pelo regimento interno da Casa, apenas cinco CPIs podem funcionar ao mesmo tempo.
Nos bastidores corre que um dos motivos que teria levado a base governista a desistir das CPIs se remete aos supostos indícios de irregularidades no repasse de recursos a ONGs no período em que o então petista Padre Roque estava à frente da secretaria do Trabalho.
Ao ser informado sobre um suposto acordo entre governistas e oposição para que nenhuma das seis CPIs fosse instalada, Camargo fez duras críticas ao presidente Justus e ao deputado Romanelli. ''Tem alguma coisa de muito errado nisso. O próprio Romanelli recolheu assinaturas para instalar a CPI das ONGs. Por que ele mandou retirar as assinaturas depois de um mês?'', destacou.
Camargo também criticou a postura do presidente e disse que apelará para as vias jurídicas. ''Ele não poderia ter aceitado a retirada das assinaturas. A CPI das ONGs só faltava ser instalada, sua criação já tinha sido lida em plenário. O presidente foi imoral''. Romanelli afirmou ontem que, caso a CPI da ONGs seja de alguma forma instalada, o PMDB não dará espaço para a participação do deputado Camargo. É que o PTB, por não ter representatividade suficiente na Casa, não teria direito a indicar um nome para integrar a CPI.


