Governistas aprovam CPI da Compra de Votos
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quarta-feira, 29 de junho de 2005
Agência Estado 
Brasília - Com a participação do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), o governo, o PT e os partidos da base aliada fizeram ontem uma manobra que pegou a oposição de surpresa e concedeu urgência para a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) destinada a investigar as denúncias de compra de votos na reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e de pagamento de ''mensalão'' a parlamentares da base atual.
''Isso é muito grave porque mostra a interferência direta do presidente da República na pauta da Câmara'', atacou o líder do PFL na Casa, Rodrigo Maia (RJ). ''É a aprovação da CPI do abafa'', esbravejou o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP). ''Esta CPI está destinada a abafar os escândalos. Nada será investigado'', disse o vice-líder do PSDB Mendes Thame (SP). Para a oposição, fazer a CPI da compra de votos e da mesada somente na Câmara é pedir para que nada seja investigado. ''Como é que parlamentares do PP e do PL, suspeitos de receber o 'mensalão', vão investigar a si próprios? É preciso que o Senado também participe da CPI'', disse o deputado Pauderney Avelino (PFL-AM).
Para dar a urgência ao projeto de resolução que cria a CPI da compra de votos e do ''mensalão'', PT e o Poder Executivo agiram rápido. Logo pela manhã, depois de prestar depoimento na Comissão de Sindicância da Câmara que apura denúncias de corrupção nos Correios, o presidente do nacional do partido, José Genoino, reuniu-se com parlamentares fiéis da legenda. Ficou então combinado que o Executivo retiraria da pauta de votação da Câmara a medida provisória (MP) que cria a Timemania, loteria destinada a ajudar os clubes de futebol endividados, e três projetos menos importante que tinham urgência.
Para tanto, foi preciso uma edição extra do ''Diário Oficial'' da União (DOU), que circulou ontem à tarde, com uma nova MP, em substituição à da Timemania. Feito isso, a pauta da Câmara foi liberada e Severino convocou a votação para o pedido da CPI da compra de votos e do ''mensalão''. Essa CPI, a princípio, investigaria somente as denúncias de pagamento do ''mensalão''.
Os governistas conseguiram acrescentar no requerimento as denúncias feitas em 1997, quando da votação da emenda constitucional que permitiu a reeleição de Fernando Henrique, de governadores e de prefeitos. Na época, gravações apontaram para a compra do voto de parlamentares por R$ 200 mil cada um. Alguns denunciados, como os deputados Ronivon Santiago e João Maia, do Acre, renunciaram aos mandatos para não serem cassados.
A urgência para a instalação da CPI da compra de votos e do ''mensalão'' foi aprovada por 291 votos (o Palácio do Planalto precisava de 257), 66 contrários e cinco abstenções. A CPI terá 25 membros titulares e igual número de suplentes.


