Governistas apóiam comissão na AL
Leandro Donatti
De Curitiba
O líder do governo na Assembléia do Paraná, Valdir Rossoni (PTB), liberou ontem a bancada governista a aderir à CPI que vai investigar, entre outras coisas, a compra de jaquetas coreanas pelo ex-comandante geral da Polícia Militar Luiz Fernando de Lara. A CPI contabilizou, ontem 36 assinaturas favoráveis. O sinal-verde foi dado em plenário e surpreendeu a oposição, que condicionava sua adesão à confirmação do apoio de Algaci Túlio (PTB), Tiago de Amorim Novaes (PPB), Miltinho Pupio (PSC) e do autor do pedido de CPI Ricardo Chab (PTB), todos governistas favoráveis à apuração das denúncias. Rossoni disse que as suspeitas têm de ser dissipadas e que os governistas têm o dever de preservar a instituição, a PM.
O anúncio de Rossoni engrossou a lista de apoios à CPI e causou na oposição, que pleiteia a presidência ou a relatoria da comissão, desconfiança quanto à seriedade dos trabalhos. Chab apresenta na próxima terça-feira um plano de ação para o início dos trabalhos. No mesmo dia, o presidente da Casa, Nelson Justus (PTB), formaliza a instalação.
A CPI não se restringirá às denúncias de que Lara teria usado dinheiro da corporação para conceder empréstimo ao empresário e amigo Georges Pantazis, um importador de jaquetas. Mas englobará acusações mais pesadas envolvendo aquisição de equipamentos pelas polícias Militar e Civil, a frota de veículos contratada pela Secretaria da Segurança, e a reforma milionária de um gabinete, que teria custado aos cofres públicos algo em torno de R$ 800 mil, segundo alguns deputados. As informações têm base em investigações paralelas feitas pelo Ministério Público do Paraná.
Ângelo Vanhoni (PT) disse que uma doação feita pela Renault, estimada em R$ 160 mil, ao comando da PM, também será objeto de investigação. Bem como a ação do estelionatário Joni Rodrigues. A Promotoria de Investigações Criminais (PIC) investiga as negociações entre Rodrigues e Luiz Fernando Coutinho de Lara, filho do ex-comandante da PM. Coutinho fazia os seguros dos carros comercializados por Rodrigues com os PMs. A PIC não tem ainda um relatório conclusivo das investigações.
Temos de reunir as denúncias e fazer uma triagem dos documentos, observou Ricardo Chab. O deputado disse que vai se reunir nos próximos dias com Justus para definir um cronograma de trabalho. Chab acha que, devido ao recesso parlamentar, a tomada de depoimentos ficará para o ano que vem. O deputado disse não se surpreender com a decisão de Rossoni, de aderir à CPI. Eles não tinham outra saída, senão aderir, concluiu.
Vanhoni concorda com Chab e não acredita que a liberação de Rossoni significa que a CPI será laranja. Tudo vai depender de nós. Temos que trazer pessoas que tenham algo a dizer. A CPI do Narcotráfico, por exemplo, não tinha nada até começar a ouvir as pessoas, comparou Vanhoni. Se não entrassem, ficariam excluídos, reforçou Caíto Quintana (PMDB). Foi manobra para impedir que a oposição tenha participação efetiva na comissão, avaliou o líder do PMDB, Orlando Pessuti.





