Curitiba - A base de apoio ao governo Roberto Requião (PMDB) na Assembléia Legislativa - maioria na Casa - ameaçou ontem protocolar cinco Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) para impedir que a oposição crie a ''CPI da Corrupção'', anunciada nos últimos dias. A mesma estratégia já havia sido usada pela base no início do ano, quando a oposição, fortalecida pelo resultado apertado das urnas eleitorais, articulava a criação de CPIs. Na época, os governistas protocolaram na Casa cinco pedidos de abertura de comissões, impedindo que qualquer outra pudesse ser criada. É que, pelo Regimento Interno, cinco é o limite máximo de CPIs que podem funcionar ao mesmo tempo. Na sequência, porém, após acordo com a oposição, as assinaturas de apoio às investigações foram retiradas.
O líder da oposição, deputado Valdir Rossoni (PSDB), disse que a atitude da base é ''absurda''. ''O objetivo deles é obstruir o trabalho da oposição. É uma atitude ridícula.'' Rossoni também fez críticas ao fato dos temas das CPIs serem supostamente referentes à gestão do governo Jaime Lerner. ''O Lerner é um homem que não participa nem mais da vida política do Estado. Eles podem trazer as CPIs que quiserem que nós assinamos todas. O problema é que eles já tiveram oportunidade de fazer todas as CPIs que quisessem, agora deveriam deixar um espaço para a gente.''
Um dos temas das cinco CPIs se refere aos R$ 10 milhões do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) que, segundo Requião, teriam sido desviados para a campanha eleitoral de 2002 do atual prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), na época candidato ao governo do Estado. No início do ano, quando a base adotou a mesma estratégia, o suposto desvio também era tema de uma das CPIs.
O mote das demais CPIs não foi informado pelo líder do governo, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), que preferiu não falar sobre a estratégia da base. Extra-oficialmente, corre que os temas colocados em pauta são exatamente os mesmos do início do ano, ou seja, as CPIs só teriam sido ''desenterradas''. O líder do PMDB, deputado Waldyr Pugliesi, também evitou dar declarações sobre o assunto. ''Eles estão falando de uma CPI. E nós estamos nos preparando para o jogo.''
O documento que pede a abertura da ''CPI da Corrupção'', segundo Rossoni, teria até agora dez assinaturas. Para ser apresentado, o documento deve contar com o apoio de no mínimo 18 parlamentares. Rossoni acredita que deve conseguir o número suficiente nos próximos dias.

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