Brasília Os governadores reunidos sexta-feira e sábado na Granja do Torto decidiram retornar a Brasília em maio para mais uma vez discutir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva as reformas previdenciária e tributária. A proposta foi feita pelo governador Lúcio Alcântara (PSDB-CE) na parte final da reunião e acatada por Lula e pelos demais governadores. ''A idéia é que os governadores assinem embaixo e essa não seja apenas uma reforma do Lula, mas de todos'', disse Jorge Viana (PT-AC).
O governo espera enviar ao Congresso a reforma previdenciária em maio e a tributária no final de junho. Lula também anunciou que deverá viajar pelo país para fazer reuniões com os governadores por região. Na saída do encontro, no sábado, governadores de todos os partidos derramaram-se em elogios aos acordos fechados. O tucano Aécio Neves, de Minas Gerais, afirmou que existe um ''caldo de cultura inédito na história do país para a realização das reformas''. ''Nossa geração tem uma oportunidade única para deixar uma marca perene na história'', declarou o tucano.
Depois da primeira rodada de debates com os 27 governadores, o Palácio do Planalto espera receber, em 30 dias, estudos sobre o impacto nos Estados das mudanças sugeridas e acordadas para a reforma previdenciária. Esse será um instrumento importante para o governo analisar a viabilidade técnica e financeira da reforma no sistema previdenciário.
Enquanto isso, o governo e os partidos da base aliada vão trabalhar para que seja retomada, depois do Carnaval, a votação do PL-9, o projeto de lei que estabelece regras para os fundos de pensão dos servidores públicos da União, Estados e municípios. Trata-se de uma proposta polêmica, mas que ganhou na reunião do Torto a adesão de governadores de todos os partidos. É preciso saber, agora, se o apoio dos governadores resultará em votos de suas bancadas na Câmara.

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