Governadores vão a FHC pedir trégua
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terça-feira, 19 de janeiro de 1999
Carla Franco Agência Estado 
Uma comissão formada pelos governadores do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PDT), do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT), e de Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB) será recebida hoje pelo presidente Fernando Henrique em Brasília, para iniciar diálogo sobre o atoleiro de dívidas em que estão metidos Estados e municípios. A decisão foi anunciada ontem em Belo Horizonte, ao final do encontro dos sete governadores da oposição que avaliaram a situação e emitiram a Carta de Belo Horizonte. No começo da noite, Fernando Henrique Cardoso confirmou o encontro.
A principal solicitação que a comissão vai levar a Brasília é para que seja interrompido por um ano o pagamento das dívidas dos Estados com a União, segundo Garotinho. Eles querem a imediata abertura do diálogo com o governo federal, redução dos juros, ampliação do prazo de 30 anos da rolagem e nenhum bloqueio dos recursos repassados para os Estados no período de renegociação das dívidas.
O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), voltou a criticar FHC e a política econômica vigente, em um discurso improvisado para cerca de 3 mil manifestantes pró-moratória, concentrados na entrada do Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte. O governador voltou a dizer: É hora de dizer um basta para essa economia injusta que aí está. Para Itamar, FHC precisa escutar a voz das ruas e dos desempregados. O governador mineiro insiste que o País precisa de uma nova ordem social.
O governador do Mato Grosso do Sul, José Orcírio, o Zeca do PT, disse que os sete governadores não querem migalha do governo federal. Queremos um diálogo que leve no sentido da repactuação interna das dívidas estaduais para que o governo federal tenha autoridade política para repactuar seus compromissos internacionalmente. O governador afirmou que a reunião de ontem foi de lideranças preocupadas com a crise nacional e dos Estados.
Zeca do PT lembrou que a Carta de Belo Horizonte expressa disposição para o diálogo, mas afirmou que FHC precisa refletir sobre isso. A retaliação a Minas Gerais é uma intolerância que não leva a lugar nenhum, disse, referindo-se ao bloqueio de repasses federais ao Estado em função da moratória declarado por Itamar Franco.
Itamar reiterou, no encontro dos sete governadores de oposição, que Minas Gerais não tem nenhum recurso para pagar a dívida com o governo federal. Por isso, declaramos moratória de 90 dias, disse. Segundo o governador, o Estado deve R$ 450 milhões em salários para o funcionalismo, além de R$ 250 milhões por conta do 13º e ainda R$ 3,3 bilhões para diversos fornecedores. Indagado sobre até quando os Estados terão fôlego para pagar as dívidas, Itamar ironizou; O meu fôlego já não existe.


