Os 18 governadores reunidos ontem em São Luís para repudiar a moratória declarada pelo governador de Minas, Itamar Franco (PMDB), aprovaram um documento, intitulado ‘‘Carta de São Luís’’, que propõe a redução das taxas de juros. ‘‘Ninguém está inteiramente satisfeito com a política econômica e juros altos, mas é importante lembrar que precisamos propor uma saída e não só dizer que a coisa não está boa’’, disse o governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB).
Para o governador do Amazonas, Amazonino Mendes (PFL), os Estados precisam ser ouvidos pela equipe econômica. ‘‘Por exemplo, não dá para se fazer uma reforma tributária sem ouvir as propostas dos governadores’’, declarou Amazonino. Os governadores defenderam um pacto nacional entre Estados e União para tirar o Brasil da crise.
O secretário adjunto do Tesouro Nacional, Marcelo Bian Castelli, participou das discussões representando o ministro da Fazenda, Pedro Malan. Poucas horas antes da reunião, o presidente Fernando Henrique Cardoso telefonou para a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL), que patrocinou o encontro, e obteve informações sobre a pauta dos debates.
Mesmo de forma isolada, alguns governadores admitiram que alguns podem pleitear a negociação de suas dívidas com a União. Todos eles, no entanto, frisaram que a renegociação da dívida não era o objetivo do encontro. ‘‘Precisamos dar uma demonstração e um sinal para todos os organismos internacionais de que os Estados vão honrar seus compromissos’’, afirmou o governador do Mato Grosso, Dante de Oliveira (PSDB).
Crise -Roseana disse, pouco antes da reunião, ser fundamental a volta do crescimento econômico do País para que os Estados tenham condições de pagar suas dívidas. O governador de São Paulo em exercício, Geraldo Alckmin, disse que a aprovação do ajuste fiscal e a responsabilidade no equilíbrio das contas públicas nos Estados darão condições para a queda nos juros.
Lerner O governador Jaime Lerner (PFL), presente na reunião, defendeu o apoio da União na capitalização de fundos estaduais de Previdência. No encontro, ele apresentou o projeto do novo modelo previdenciário para o funcionalismo público estadual, o Paranaprevidência, e propôs a criação de um fórum permanente de governadores para discussão de temas de interesse nacional.
Ele argumentou que os governadores não foram eleitos - ou reeleitos - para endossar documentos ou medidas sobre os quais não foram consultados. Lerner disse que os governadores precisam ser procurados pela equipe econômica do governo antes da adoção de medidas que tenham impacto direto na vida da população.

mockup